Investigação detalha escândalo com agentes dos EUA na Colômbia

Entre acusados de fazer noitada em Cartagena, um estava com mulher que conheceu em bar e outro não sabia que jovem era prostituta

The New York Times |

Após o escândalo envolvendo agentes do Serviço Secreto americano na Colômbia, as acusações sobre o comportamentos dos homens encarregados de proteger o presidente Barack Obama pareciam claras. Membros do Congresso e tabloides descreveram os encontros de vários agentes com prostitutas em quartos de hotel, e noitadas que passaram bêbados em clubes de strip-tease com até 20 mulheres.

Mas agora, enquanto o Serviço Secreto investiga o caso - inclusive com uma série de entrevistas com camareiras, as mulheres envolvidas e cerca de 200 agentes que foram à Colômbia -, uma história mais detalhada começa a se formar, tornando mais complexa a tarefa dos chefes das agências que vão decidir o destino de seus funcionários.

Leia também: Obama chama agentes dos EUA envolvidos em escândalo de 'idiotas'

NYT
Casa noturna em Cartagena, na Colômbia, onde agentes dos EUA se envolveram em escândalo sexual

A má conduta em Cartagena, na Colômbia, vai desde agentes – incluindo pelo menos um supervisor veterano – que conscientemente levaram prostitutas para seus quartos de hotel até dois funcionários que se relacionaram com mulheres que não eram garotas de programa. Segundo autoridades próximas à investigação, um dos agentes, que é solteiro, conheceu uma mulher em um bar e a levou para seu quarto. Agora, sabe-se que ela não era prostituta.

Outro agente, que foi liberado da acusação de má conduta mas deve sofrer uma punição disciplinar, havia levado uma mulher para o hotel sem saber que ela era uma prostituta até o instante em que ela lhe pediu dinheiro. O homem se recusou a pagar e pediu para que ela fosse embora.

Na terça-feira, o Serviço Secreto anunciou que dois oficiais irão permanecer empregados, dois haviam se demitido e medidas estavam sendo tomadas para dispensar um terceiro. Dos 12 originalmente acusados, apenas três permanecerão na agência, seis pediram demissão, dois foram demitidos e um se aposentou.

Embora o escândalo tenha sido chamado de "o pior momento da história do Serviço Secreto", o deputado Peter T. King, de Nova York, presidente do Comitê de Segurança Interna, disse no dia 24 de abril que a agência se organizou de uma maneira "muito rápida e agressiva para lidar com o assunto" e que continuaria a investigação para se certificar de que a segurança nacional não seria comprometida.

Glenn A. Fine, inspetor geral do Departamento de Justiça entre 2000 e 2011 e que hoje é um advogado de defesa em Washington, disse que o fato de que a investigação tenha sido conduzida pelo Serviço Secreto - e não por um inspetor-geral - levantou questões sobre a credibilidade das conclusões.

"Um inspetor-geral, ao contrário do Serviço Secreto, não tem nenhum interesse no resultado das investigações," disse Fine. "O Serviço Secreto quis se organizar rapidamente em relação a esta situação para mostrar que estava lidando com o problema."

"Esses caras do Serviço Secreto são inacreditáveis", disse Obama em uma gravação no talk show de Jimmy Fallon. "Eles me protegem, eles protegem minhas filhas. Uns idiotas não deveriam denegrir o trabalho de toda a agência. Não sei exatamente o que eles estavam pensando, mas com certeza é por isso que não estão mais lá."

O Serviço Secreto não encontrou nenhuma evidência de que as mulheres que passaram a noite com os oficiais da agência eram agentes estrangeiras ou que tinham tido acesso a informações confidenciais, de acordo com autoridades do governo.

No entanto, os membros do Congresso continuaram a levantar esta questão na terça-feira, dia 24 de abril. Em uma entrevista no rádio, o senador Charles E. Grassley, do Iowa, disse que outros países poderiam estar usando prostitutas para obter informações sobre os Estados Unidos e que os russos eram famosos por utilizar tais táticas.

O Exército dos Estados Unidos disse que 11 pessoas que estiveram presentes na viagem para a Colômbia também estão sob investigação e que pelo menos metade delas havia violado o toque de recolher. Mas não há acusações de envolvimento com prostitutas.

Em uma situação similar à da Colômbia, o secretário de Defesa Leon E. Panetta disse na terça-feira, dia 24 de abril, que três fuzileiros navais que estavam servindo como guardas de segurança e um oficial da Embaixada dos Estados Unidos no Brasil foram punidos e mandados de volta para casa no Natal de 2011, depois que se envolveram em um disputa com uma prostituta em uma boate em Brasília.

De acordo com um oficial do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, que pediu anonimato, os fuzileiros entraram em um carro com a mulher e depois discordaram sobre seu pagamento. Depois disso, os fuzileiros empurraram a mulher para fora do carro fazendo com que ela quebrasse sua clavícula.

Por Michael S. Schmidt e Eric Schmitt

    Leia tudo sobre: colômbiaeuaobamaserviço secretoprostituiçãocartagena

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG