Grampo em telefone de presidente chinês levou à queda de Bo Xilai

Oficialmente, Bo Xilai foi destituído por corrupção e pelo vínculo de sua mulher com morte de britânico, mas a espionagem foi outro motivo para sua derrocada política

The New York Times |

Quando o presidente chinês, Hu Jintao, atendeu ao telefone em agosto para falar com uma autoridade graduada anticorrupção que visitava Chongqing, aparelhos especiais detectaram que ele estava sendo grampeado - por autoridades locais na cidade do sudoeste.

A descoberta disso e de outro grampo levaram a uma investigação que ajudou a destituir o carismático líder de Chongqing, Bo Xilai , em um desastre político que ainda não chegou a todas as suas consequências.

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Até agora, a queda de Bo tem sido relatada como a história de um populista que buscou seus próprios interesses de forma muito agressiva na visão de alguns líderes em Pequim e que foi forçado a renunciar por acusações de que sua mulher, Gu Kailai, planejou o assassinato do consultor britânico Neil Heywood depois de uma disputa de negócios. Mas a escuta escondida, previamente mencionada apenas em relatos do escândalo feitos internamente no Partido Comunista, parece ter fornecido uma outra razão para que os líderes do partido mirassem Bo.

A história de como o presidente chinês foi monitorado também mostra o nível de desconfiança entre os líderes do partido único. Para manter controle sobre a sociedade, líderes adotaram uma aprimorada tecnologia de vigilância. Mas alguns a usam uns contra os outros - repetindo padrões de intriga que remetem ao início do governo comunista.

Sob condição de anonimato por temerem retaliação, mais de dez fontes com laços no partido confirmaram as escutas ilegais, assim como um amplo programa de grampos em toda Chongqing. Mas a versão pública do partido sobre a queda de Bo omite isso.

A narrativa oficial e muito da atenção estrangeira se concentraram mais na morte de Heywood em novembro. Quando o chefe policiail de Bo, Wang Lijun , foi demitido e temeu ser implicado nas questões familiares de Bo, fugiu para o Consulado dos EUA em Chengdu, onde falou abertamente sobre a morte do consultor britânico.

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O relato sobre o assassinato é crucial para o escândalo, oferecendo aos rivais de Bo uma razão indiscutível para removê-lo. Mas pessoas dentro do partido dizem que o grampo foi visto como um desafio direto às principais autoridades do país. Isso lhes revelou o quão longe Bo estava preparado para ir em seus esforços para conseguir mais poder na China e fortaleceu suspeitas de que não era possível confiar a Bo um alto cargo no partido, que deve modificar suas posições de liderança sem setembro.

De acordo com membros graduados do partido, incluindo editores, acadêmicos e pessoas com laços com o Exército, as operações de escuta de Bo começaram há vários anos como parte de uma fortalecimento de vigilância financiado pelo Estado com o objetivo de combater o crime e manter a estabilidade política local.

O arquiteto era Wang, um policial nacionalmente condecorado que trabalhou com Bo na Província de Liaoning, no nordeste do país. Juntos, eles instalaram um "completo sistema de escutas abrangendo das telecomunicações à internet", de acordo com uma autoridade de mídia do governo.

Juntos, Bo e Wang lançaram uma iniciativa para reprimir os círculos criminosos que controlavam grandes porções da vida econômica de Chongqing. Mas não só os suspeitos de serem mafiosos, mas também fuguras políticas, foram alvo.

Um analista político com laços graduados, citando informação obtida de um militar graduado, disse que Bo tentou grampear os telefones de quase todos os líderes de alta hierarquia que visitaram Chongqing em anos recentes, "incluindo Zhou Yongkang”, o czar da lei e da ordem que supostamente havia apoiado Bo como seu sucessor potencial. “Bo queria ter clareza absoluta sobre qual eram as atitudes dos líderes em relação a ele", disse o analista.

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