Nos EUA, militares e espionagem discordam por satélites-espião

Militares defendem transferir para setor privado produção de imagens por satélite, enquanto inteligência se opõe

The New York Times |

AP
Governo Obama propôs um corte nos contratos de imagens de satélites comerciais (26/3)
Os espiões americanos e seus comandantes militares estão em desacordo sobre o futuro de satélites espiões dos EUA, uma divisão que pode determinar se o governo do país passará ou não a depender cada vez mais desses equipamentos ou de outras tecnologias menos onerosas.

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A disputa começa a se assemelhar àquela travada pelo serviço postal dos EUA e companhias de transporte de correspondência como a FedEx - uma instituição governamental tradicional que fornece serviços abrangentes versus uma empresa mais ágil do setor privado que escolhe a dedos os negócios mais lucrativos.

Nos últimos anos, avanços na tecnologia comercialmente disponível têm permitido que empresas privadas desenvolvam satélites que transportam sensores de alta resolução e realizam tarefas de monitoramento antes prerrogativa exclusiva de satélites confidenciais operados pela comunidade de inteligência.

Duas empresas privadas fornecem esse tipo de serviço de satélite espião para o governo dos EUA a custos muito mais baixos do que os satélites do próprio governo, segundo oficiais e analistas da indústria.

Mas, a pedido de oficiais graduados da inteligência americana, o governo Obama propôs um corte nos contratos de imagens de satélites comerciais pela metade do próximo ano - de US$ 540 milhões para cerca de US$ 250 milhões - para ajudar a atender exigências de redução de déficit e, ao mesmo tempo, trazer de volta mais trabalho para as agências de inteligência, de acordo com autoridades do Congresso e especialistas da indústria.

Líderes republicanos e democratas nas comissões de inteligência do Congresso estão resistindo aos cortes orçamentais e compactuando com as companhias privadas e com os militares, que argumentam que não conseguiriam obter a quantidade de imagens necessárias sem acessar empresas de tecnologia mais barata.

"O debate real ocorre entre os militares, que precisam de muitas imagens, mas não precisam das imagens altamente confidenciais, e a comunidade de inteligência, que quer manter a capacidade de produzir suas próprias imagens", disse Bill Wilt, funcionário da GeoEye, uma das empresas privadas que atuam no setor.

Em meio ao que observadores dentro e fora do governo descrevem como anos de uma disputa por terreno cada vez mais amarga, o diretor do Escritório Nacional de Reconhecimento, a agência secreta que gerencia os satélites espiões do país, pediu demissão na semana passada. Oficiais do governo afirmaram que a renúncia de Bruce Carlson não teve nenhuma relação com as disputas por satélites.

A GeoEye e a DigitalGlobe, empresas de satélite com os dois maiores contratos para fornecer imagens para o governo, possuem um total de cinco satélites que orbitam a Terra e planejam lançar mais com o apoio financeiro de Washington.

*Por James Risen

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