Série de suicídios entre adolescentes alarma a Rússia

Presidente chegou a pedir que jornais não divulguem mortes para não estimular jovens; taxa é três vezes maior que a média mundial

The New York Times |

A Rússia tem sido atingida por uma onda de suicídios tão acentuada entre adolescentes que o presidente Dmitri Medvedev chegou a advertir os meios de comunicação no dia 12 de março para não darem muita atenção às mortes por medo de que isso leve ainda mais jovens a copiar a tendência.

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"É realmente uma situação muito preocupante e grave, mas não quer dizer que irá piorar cada vez nos próximos anos", disse Medvedev. "Esse é um assunto que deve ser tratado com muita cautela."  

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Problemas familiares estão entre os motivos que levam jovens russos a se suicidar

O ápice dos suicídios entre adolescentes começou em fevereiro, quando duas meninas de 14 anos de idade pularam de mãos dadas de um telhado de um prédio de 16 andares localizado nos subúrbios de Moscou. Após esse caso, uma série de outros suicídios por saltos de edifícios atraíram a atenção de todo o país. 

Desde o dia 9 de abril, foram registradas ao menos seis mortes. Uma menina de 16 anos de idade saltou de um hospital inacabado na Sibéria, enquanto cinco outros adolescentes se enforcaram: um menino de 15 anos da cidade de Perm foi encontrado morto por sua mãe dois dias depois de ter se enforcado, outro de 15 anos de idade se matou no dia de seu aniversário na cidade de Nizhny Novgorod, localizada às margens do rio Volga, e um suspeito de homicídio de 16 anos da cidade de Krasnoyarsk usou o lençol de sua cela na prisão para se matar.

O país registrou pelo menos outros 10 casos na semana passada, incluindo o de um menino de 11 anos de idade que foi encontrado enforcado sob o telhado de sua casa em Krasnodar.

Embora a taxa de suicídios entre adultos na Rússia ainda seja maior, a taxa de suicídios entre adolescentes é hoje três vezes maior que a da média mundial.

Razões

Especialistas culpam o alcoolismo, problemas familiares e outros tipos de consequências do colapso da União Soviética, bem como a ausência de uma estrutura de saúde mental e redes de apoio a jovens problemáticos.

Eles também concordam com Medvedev de que a publicidade feita em torno dos suicídios - algo que rapidamente se espalhou pelas redes sociais russas - pode estimular atos de imitação.

Nesta semana, o jornal Smena, de São Petersburgo, criticou a atenção dada ao fenômeno, alegando que "enquanto alguns adultos demonstravam seus pêsames nos funerais e outros tentavam entender os motivos dos adolescentes suicidas, alguns adolescentes viram esses acontecimentos como um modelo a ser imitado".

"As razões para todos esses suicídios são as mais diversas", disse Boris Polozhiy, um psiquiatra do Centro Científico de Psiquiatria Social e Forense do Estado de Serbsky. "São fatores sociais, médicos e psicológicos. Por isso, essa situação precisa ser resolvida de uma maneira sistemática. Todo o trabalho precisa ser coordenado."

Mas, ele acrescentou; “Infelizmente, na Rússia este sistema ainda não existe."

*Por Glenn Kates

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