Idosa sobrevive a tornado duas vezes nos EUA

Wilma Lake saiu ilesa ao buscar refúgio debaixo de uma mesa quando tinha 23 anos de idade e dentro de um closet em sua casa aos 87 anos

The New York Times |

No dia 9 de abril de 1947, Wilma Lake estava sozinha em seu apartamento na Avenida Oak quando um tornado atingiu sua cidade no meio da noite. Ela sobreviveu - agachada debaixo de uma mesa - mas muitos de seus vizinhos não compartilharam de sua sorte.

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O tornado matou pelo menos 107 pessoas ao redor da cidade de Woodward e destruiu mais de 1 mil casas e empresas no que se tornaria o pior desastre natural a atingir a região de Oklahoma.

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Wilma Nelson com o amigo Tim Cruise em meio a destroços de sua casa em Woodward, Oklahoma
Para Lake, que na época era uma auxiliar de escritório de 23 anos de idade, a vida continuou: ela logo se tornaria a sra. Nelson, casando-se com Eldon Nelson, que era conhecido como Bud. Eles tiveram três filhos e moraram na Rua Robin nº 3.412, colocando na porta uma placa que dizia "Os Nelsons".

Em um domingo, pouco depois da meia-noite, Nelson, agora com 87 anos de idade, estava sozinha em casa novamente, no lado oeste da cidade, quando um alerta foi dado através de um programa de rádio dizendo um tornado havia sido avistado a poucos quilômetros da cidade.

Descalça e de pijama, ela foi para dentro de um pequeno armário no quarto de casal, tentando levar consigo o cachorro de seu filho chamado Sugar. Sugar se recusou a entrar, então ela fechou a porta.

"Foi tudo tão rápido", disse ela. "Eu tinha acabado de entrar dentro do armário quando de repente escutei um barulho que parecia uma bomba explodindo. Acho que era o teto sendo arrancado pelo tornado".

Da mesma maneira que 65 anos antes, Nelson sobreviveu, sem ferimentos, embora um pedaço de gesso tenha caído sobre sua cabeça. E desta vez, seis de seus vizinhos morreram em mais uma série de tornados que deixou um rastro de destruição ao longo das planícies americanas.

O tornado que atingiu Woodward estava longe de ser tão poderoso quanto o de 1947. Mas para os homens e mulheres da cidade de 15 mil habitantes que sobreviveram ao furacão anterior, a devastação trouxe de volta lembranças dolorosas.

Folclore

O grande tornado continua a fazer parte do folclore e história do local - o mural do edifício do Jornal de Woodward tem uma imagem de um tornado ilustrando a saga da região - mas ninguém nunca achou que algo parecido poderia acontecer novamente.

A casa dos Nelson hoje existe apenas no nome. O tornado deixou a casa dividida na metade: completamente sem teto, com as paredes de tijolo branco completamente destruídas e os vidros estilhaçados.

O armário onde ela se escondeu agora tem o equivalente a um teto solar. Os ventos foram tão fortes que pedaços das telhas perfuraram as paredes como dardos.

"Acho que o Senhor deve ter me deixado sobreviver por algum motivo", disse ela, rindo.

Parentes e vizinhos - até o comissário de seguros do Estado, John D. Doak - foram à sua casa no dia 17 de abril para cumprimentá-la. Quando ela se sentou no que restava da sua sala de estar, uma amiga chegou e a abraçou. "Eu vou continuar vivendo", explicou a ela, com lágrimas nos olhos. "Eu sou osso duro de roer. "

Intacto

Em meio à toda essa destruição, as coisas pequenas ficaram ilesas. Durante 28 anos, Nelson manteve uma tigela branca rotulada como Guloseimas da Vovó em cima da geladeira, com doces para seus netos e outras crianças do bairro. Após o tornado, lá estava ela, sem sequer uma rachadura. A porta da frente também permaneceu intacta.

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Wilma Nelson com o amigo Tim Cruise em meio a destroços de sua casa em Woodward, Oklahoma
Nelson disse que só uma coisa passou por sua mente quando o telhado foi arrancado pelo vento. "Eu estava tão preocupada com o cachorro do meu neto que conseguia apenas dizer 'Oh, Deus, cuide do Sugar por favor", disse.

Após o furacão, um de seus netos, Shane Semmel, 38 anos, foi o primeiro de seus parentes a chegar na casa acompanhado por uma ambulância. "Ela não estava preocupada com sua casa ou qualquer outra coisa", disse Semmel. "Ela estava preocupada com o cachorro."

Semmel entrou. Sugar estava na cozinha, coberto por entulhos. Ele ajoelhou-se e verificou como ele estava.

Ele estava bem. E também havia sobrevivido.

*Por Manny Fernandez

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