Novos ataques no Afeganistão revelam evolução da rede Haqqani

Grupo aliado ao Taleban mostrou disciplina e sofisticação em ação de domingo, deixando Ocidente preocupado com seu fracasso de inteligência

The New York Times |

Na segunda-feira 16 de abril, militares ocidentais e especialistas em inteligência admitiram que foram surpreendidos pela abrangência e sofisticação dos ataques sincronizados lançados no Afeganistão no domingo e que desataram confrontos que se estenderam por 18 horas , até o dia seguinte. Segundo eles, a ação foi um um passo preocupante na evolução da rede Haqqani vinculada à milícia islâmica do Taleban, que passou de uma máfia criminosa para uma força militante.

AP
Forças especiais afegãs são vistas em prédio que foi ocupado por militantes em Cabul (16/4)
Responsabilidade: Presidente afegão culpa 'falha' da Otan por ataques

Mesmo enquanto as autoridades ocidentais elogiavam a resposta das forças de segurança afegãs e procuravam diminuir a importância do impacto estratégico dos ataques, concordaram com as críticas do presidente Hamid Karzai.

Também na segunda-feira, ele afirmou que os ataques - envolvendo dezenas de insurgentes que atravessaram centenas de quilômetros para atacar sete alvos diferentes, todos por volta de 1h45 do domingo - representaram uma " falha de inteligência nossa e, especialmente, da Otan ".

As autoridades disseram que o episódio levantou duas dúvidas cruciais: (1) sobre se os militantes agora têm a capacidade de montar ataques audaciosos repetidamente em vez de apenas uma vez a cada vários meses; e (2) se o governo afegão será capaz de neutralizar tais ações depois de 2014, o prazo para retirada das tropas ocidentais , e a partir de quando seu acesso a informações de inteligência dos aliados será limitada.

"Certamente parece que há alguma lacuna entre a coleta de informações e a análise de tudo que é coletado", disse John K. Wood, professor da Universidade de Defesa Nacional que foi diretor sênior para o Afeganistão no Conselho de Segurança Nacional nos governos Bush e Obama, e que acabou de retornar de uma viagem a Cabul.

Para a rede Haqqani, uma família de traficantes e criminosos de fronteira que ganhou surpreendente notoriedade nos últimos anos como principal causa de morte de soldados aliados no Afeganistão, os ataques de domingo representaram mais do que a capacidade de paralisar os distritos mais firmemente garantidos de Cabul por horas.

Eles foram uma prova de que esse aliado do Taleban pode desenvolver o vasto apoio logístico e planejamento necessários para armar ataques terroristas sem que nenhuma informação vaze para os grupos de inteligência concentrados firmemente nela.

A principal força de inteligência da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) na região baseia-se em capturar e analisar as comunicações realizadas por telefones celulares e outros dispositivos eletrônicos.

As forças afegãs, com sua vantagem cultural e linguística, formam uma ampla rede de informantes. Na realidade, o trabalho das duas forças está interligado, segundo autoridades ocidentais e americanas, por isso há motivo para preocupação pelo fato de que nenhuma conseguiu prever a ameaça iminente de múltiplos ataques simultâneos em províncias diferentes.

*Por Eric Schmitt e Alissa J. Rubin

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