Distribuição gratuita de Alcorão preocupa autoridades alemãs

Campanha foi ideia de palestino Ibrahim Abou-Nagie, que prega facção conservadora do Islã conhecida como salafismo

The New York Times |

Os esforços de um grupo fundamentalista muçulmano para distribuir uma cópia do Alcorão para cada família suíça, alemã e austríaca têm despertado um sentimento anti-islâmico na Alemanha e criado um alvoroço entre os políticos e autoridades de segurança pública do país que questionam se a dsitribuição desse livro sagrado não tem como objetivo recrutar extremistas radicais.

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EFE
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Não existe nenhuma lei que proíba a distribuição de obras religiosas na Alemanha. Essa é uma prática frequente entre praticantes da Cientologia e Hare Krishnas, além dos cristãos, é claro, mas os oficiais alemães parecem mais preocupados com aqueles que fazem a distribuição.

A campanha de distribuição do Alcorão foi uma ideia de Ibrahim Abou-Nagie, um palestino que prega uma facção conservadora do Islã conhecida como salafismo.

Abou-Nagie, que vive na Alemanha há 30 anos, tem estado no radar das autoridades de segurança alemãs desde 2005, quando criou um site que levantou suspeitas de disseminar propaganda extremista.

Foi feita uma tentativa de processar Abou-Nagie sob a acusação de incitação ao ódio religioso este ano, porém sem sucesso.

A campanha para distribuir cópias do Alcorão chamou a atenção em todo o país - e também despertou uma sensação de relutância - na semana passada depois que jornalistas que haviam criticado o esforço foram ameaçados em um vídeo publicado na internet.

Na segunda-feira, o ministro do Interior de Hesse, um Estado da região central da Alemanha, chamou Abou-Nagie e seus seguidores de "flautistas de Hamelin" e disse que o perigo do Islã radical atingiu "uma nova dimensão."

Mas Rauf Ceylan, um professor de sociologia religiosa na Universidade de Osnabruck, disse que extremistas violentos representavam "uma minoria dentro de uma minoria" e a "participação dos muçulmanos na sociedade alemã não deve ser centrada nos salafistas. "Os políticos têm uma grande responsabilidade em comunicar o fato de que a Alemanha é agora uma sociedade composta por imigrantes", disse, "e até agora eles falharam em relatar isso".

No sábado, uma pilha de cópias do Alcorão foi colocada sob uma mesa dentro de uma tenda branca na Praça Potsdamer em Berlim, um local de encontro para pessoas que querem fazer compras e para os turistas, enquanto vários homens comprimentavam transeuntes e ofereciam-lhes cópias.

A poucos metros de distância, um punhado de manifestantes segurava placas que denunciavam o extremismo islâmico. Duas equipes de policiais vigiavam a movimentação.

Yannick Salziger-Ouatain disse que tinha lido sobre a distribuição do livro na internet e ficou simplesmente interessado em seu conteúdo. "Hoje em dia o Islã desempenha um papel importante na discussão da política geral", disse. "Imaginei que, como um ser humano democrático, preciso saber mais a respeito desse livro e assim talvez poderei formular minha própria opinião."

*Por Melissa Eddy e Nicholas Kulish

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