Nuvem de cinzas avança sobre Europa e agrava caos na aviação

Por Mark Trevelyan LONDRES (Reuters) - O caos aéreo na Europa agravou-se neste sábado à medida que uma imensa nuvem de cinzas vulcânicas se espalhava pelo continente, impedindo a saída de três a cada quatro voos e paralisando milhares de passageiros em todo o mundo.

Reuters |

A agência de aviação Eurocontrol disse que nenhum pouso ou decolagem era possível para aeronaves civis em grande parte do norte e do centro da Europa, devido à nuvem formada pela erupção de um vulcão na Islândia.

Muitos países fecharam o espaço aéreo até domingo ou segunda-feira e meteorologistas preveem que a coluna de fumaça não vai se afastar muito. Eles disseram que a coluna de cinzas poderia até mesmo ficar mais concentrada na terça ou quarta-feira, resultando em uma ameaça ainda maior às viagens aéreas.

A coluna de fumaça que subiu para as partes mais altas da atmosfera, onde pode causar destruição das turbinas e estrutura dos aviões, está custando às companhias aéreas mais de 200 milhões de dólares por dia e arruinou planos de viagem ao redor do mundo.

Voos de teste sem passageiros estão sendo realizados na Holanda e outros países europeus para avaliar o impacto das cinzas nas aeronaves, disse o governo holandês neste sábado.

A interrupção nos voos é a pior desde os ataques de 11 de setembro de 2001 a Nova York e Washington, quando o espaço aéreo norte-americano ficou fechado por três dias e companhias aéreas europeias foram forçadas a suspender todos os serviços transatlânticos.

A Eurocontrol estimou 5.000 voos no espaço aereo europeu, uma forte queda em relação aos 22.000 de um sábado normal. Na sexta-feira, segundo a agência, foram 10.400 voos, quando normalmente seriam 28.000.

"As previsões indicam que a nuvem de cinzas vulcânicas persistirá e que o impacto continuará pelo menos pelas próximas 24 horas", disse a agência em comunicado.

A coluna de fumaça forçou vários líderes mundiais a reprogramarem às pressas planos de viagem. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a chanceler alemã, Angela Merkel, e outros líderes cancelaram viagens à Polônia, onde tomariam parte no domingo na cerimônia do funeral do presidente Lech Kaczynksi, morto em um acidente aéreo na Rússia uma semana atrás.

MESES DE ERUPÇÃO

A erupção vulcânica parece estar arrefecendo neste sábado, mas pode continuar por dias ou até meses, disseram autoridades. Não há fim previsto para o problema aéreo, que coincidiu com o fim do feriado de Páscoa na Europa.

A empresa de meteorologia AccuWeather, com sede nos EUA, informou que as cinzas estavam em uma área de ventos fracos e é improvável que se mova na segunda-feira.

"A previsão é que a fumaça fique mais concentrada na terça e na quarta-feira, representando um grande risco às viagens aéreas. No entanto, também se prevê que a coluna fique mais estreita, causando impacto em uma área menor", afirmou a empresa, acrescentando que uma tempestade no Oceano Atlântico e mudança na direção dos jatos de ar nos níveis superiores da atmosfera, na quinta-feira, poderiam romper a nuvem.

"Um jato de ar de sudoeste ajudaria a levar para fora da Europa qualquer coluna de fumaça remanescente e trazer algum alívio para a crise da aviação", informou.

Grã-Bretanha, Dinamarca e Alemanha estão entre os países que fecharam seu espaço aéreo por todo o sábado. A empresa alemã Lufthansa não ter aviões voando em nenhuma parte do mundo.

No entanto, a menos que a nuvem interrompa os voos por semanas, ameaçando a cadeia de fornecimento das fábricas, os economistas não acham que vá reduzir significativamente a difícil recuperação da Europa da recessão ou afetar os indicadores de crescimento do PIB no segundo trimestre do ano.

Mas as companhias aéreas poderão sofrer um sério golpe em suas finanças.

A França informou que os aeroportos de Paris permaneceriam fechados pelo menos até segunda-feira de manhã. A Itália prorrogou a suspensão dos serviços nos seus aeroportos do norte do país até o mesmo dia. A Holanda estendeu o fechamento até o domingo de manhã e a Suíça também.

A TUI Travel, maior operadora de turismo da Europa, disse que estava cancelando todas as viagens pelo menos até as 5h (horário de Brasília) do domingo. A British Airways, afetada no mês passado por greves que lhe custaram cerca de 70 milhões de dólares, cancelou todos os voos de domingo.

O problema prejudicou as ações das companhias aéreas na sexta-feira. Os papéis da Lufthansa, British Airways, Air Berlin, Air France-KLM, Iberia e Ryanair tiveram queda entre 1.4 e 3.0 por cento.

REFLEXOS NA ÁSIA

Os problemas se espelharam pela Ásia, onde dezenas de voos com destino à Europa foram cancelados, e hotéis de Pequim a Cingapura tiveram dificuldade para acomodar milhares de passageiros.

Um funcionário da Eurocontrol disse que o número de voos transatlânticos chegando à Europa estava entre um terço e um quarto do número usual para um sábado.

A American Airlines informou que estava apta a operar voos de e para a Espanha e Itália, mas havia cancelado 56 outros de e para a Europa, mesmo número da sexta-feira.

Os militares norte-americanos tiveram que refazer a rota de muitos voos, incluindo aqueles que retiravam feridos do Afeganistão e do Iraque, disse um porta-voz do Pentágono.

O vulcão começou a entrar em atividade na quarta-feira pela segunda vez em um mês, desde a parte debaixo da geleira Eyjafjallajokull, lançando uma nuvem de cinzas de 6 a 11 quilômetros na atmosfera.

Neste sábado, a extensão havia caído para 5 a 8 quilômetros.

"A erupção pode continuar assim por um longo período", disse Bergthora Thorbjarnardottir, geofísica do Gabinete Meteorológico do país. "Cada vulcão é diferente e não temos muita experiência com este. Faz 200 anos desde a última vez que ele entrou em erupção."

(Reportagem das redações de Londres, Genebra, Dublin, Paris, Amsterdã, Bruxelas, Reykjavik, Washington, Frankfurt e Berlim)

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