Nuvem de cinzas afeta voos no sul do Brasil

No total, 24 voos foram cancelados em Porto Alegre após a chegada de cinzas de vulcão chileno ao Rio Grande do Sul e Santa Catarina

iG São Paulo |

As companhias aéreas Gol e Azul cancelaram alguns voos internacionais e domésticos em Porto Alegre nesta quarta-feira por causa da passagem de nuvens de cinzas de um vulcão chileno no sul do país.

Segundo a assessoria da Infraero no aeroporto Salgado Filho, de 22 chegadas programadas, há 9 cancelamentos (cinco nacionais e quatro internacionais) e três atrasos. Das 35 partidas canceladas, há 15 cancelamentos (12 domésticos e três internacionais) e dois atrasos. Contatadas pelo iG , as companhias Gol e Azul no aeroporto de Porto Alegre confirmaram que seus cancelamentos se devem à passagem das nuvens de cinzas.

Em nota oficial, a Gol informou que os atrasos e cancelamentos desta quarta-feira "refletem condições meteorológicas adversas que prejudicaram operações aéreas em algumas regiões do País ontem (terça-feira), principalmente nos aeroportos de São Paulo (Congonhas e Guarulhos), Florianópolis e Porto Alegre – alguns dos seus principais hubs de distribuição de voos".

Segundo o site da Infraero, há sete cancelamentos (seis domésticos e um internacional) também no aeroporto de Florianópolis.

A companhia aérea TAM, por sua vez, afirmou que está operando normalmente os voos programados a partir desta quarta-feira de e para os aeroportos de Buenos Aires (Argentina), Assunção e Ciudad del Este (Paraguai), Santiago (Chile), Montevidéu (Uruguai) e Foz do Iguaçu (PR). A companhia programou voos extras de e para esses destinos, com o objetivo de transportar os clientes afetados pelos cancelamentos de terça-feira.

A TAM também afirma que continua monitorando as atividades do vulcão e as condições meteorológicas e tomará medidas adicionais, se forem necessárias.

Em São Paulo, o número de cancelamentos desta manhã é normal, e nenhum, segundo a Infraero no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, tem relação com a nuvem de cinzas do vulcão.

Na terça-feira, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) apontou a presença de cinzas do vulcão chileno Puyehue nas regiões oeste, centro e sul do Rio Grande do Sul e no oeste de Santa Catarina. “Chove muito nessas regiões, e as cinzas se misturam com a forte nebulosidade, tornando-se quase imperceptíveis", disse à Agência Brasil o meteorologista Flávio Varone, do 8º Distrito do Inmet, em Porto Alegre.

Segundo Varone, à medida que a nebulosidade se afasta em direção ao mar, movimento previsto para as próximas horas, as nuvens de cinzas também tendem a desaparecer. O professor de geologia da Universidade Federal do Paraná Luiz Eduardo Mantovani acredita que as cinzas devem atingir também o Paraná, mas, segundo ele, o teor de sílica (mineral presente nas cinzas vulcânicas) é insignificante, não trazendo nenhum risco à população.

Volta à normalidade no Cone Sul

As decolagens nos principais aeroportos da Argentina, do Uruguai e do Paraguai começam a voltar à normalidade nesta quarta-feira, um dia depois que as cinzas do vulcão chileno Puyehue obrigaram a suspensão de mais de cem voos. No entanto, ainda há registro de atrasos.

Nesta manhã, os voos para o Rio de Janeiro e para São Paulo, do Aeroparque, em Buenos Aires, saíram no horário. No entanto, houve atrasos em decolagens no Aeroporto Internacional de Ezeiza. Em Montevidéu, no aeroporto de Carrasco, a situação também era irregular.

Os três primeiros voos do dia, da companhia aérea Gol, para São Paulo, foram cancelados, mas voos de outras companhias para o mesmo destino decolaram horas mais tarde, de acordo com informações disponíveis no site do terminal.

Em Assunção, o aeroporto Silvio Petirossi informou à BBC Brasil que também registrou cancelamentos.
O aeroporto de Santiago, no Chile, foi o menos afetado pelas cinzas do vulcão no sul do território chileno. Na terça-feira foram cancelados somente os voos para os países vizinhos que tiveram de suspender suas operações aéreas por causa da nuvem de cinzas. Nesta quarta-feira, o aeroporto funcionava normalmente, segundo informações no site do terminal.

Situação 'sensível'

Autoridades da Associação Nacional de Aviação Civil (Anac) da Argentina disseram que a situação ainda é "sensível" já que o vulcão ainda emite cinzas e os ventos continuam empurrando os resíduos para os países vizinhos ao Chile.

A Anac informou também que manterá a suspensão dos voos para os principais aeroportos da Patagônia, no sul do país. A previsão é de que os voos à região patagônica só deverão ser normalizados a partir de 21 de junho.

Bariloche, que está a cerca de 90 quilômetros do vulcão, amanheceu nesta quarta-feira sem luz e com problemas de abastecimento de água. A chuva da madrugada transformou as cinzas em lama impedindo ainda o acesso por terra à cidade, já que as pistas acumulando a cinzas do vulcão ficaram molhadas.

Também nesta quarta-feira, o Serviço Meteorológico Nacional (SMN) emitiu um alerta para ventos fortes de até 100 quilômetros esperados para diferentes destinos da Patagônia, como as Províncias de Chubut, Neuquén e Rio Negro, onde está Bariloche.

A situação continuava crítica nas cidades de San Martín de los Andes e Villa Angostura, que ficam próximas do vulcão chileno. As aulas continuam suspensas e os serviços limitados nestes locais. Em Villa Angostura, autoridades locais recomendaram que os residentes e turistas não saíssem de casa.

Moradores disseram a canais de TV de Buenos Aires que também não tinham sistema de aquecimento, que funciona a base de energia elétrica. Todas as casas e hotéis estão cobertos com cinzas e teme-se que o peso destes resíduos prejudique os tetos.

O comitê de emergência criado na Argentina para esta situação decidiu emitir um boletim a cada seis horas sobre a situação dos vôos e do clima, enquanto o vulcão do país vizinho estiver emitindo cinzas.

*Com Agência Brasil, BBC, EFE e AFP

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