Nuvem de cinzas: Aeroportos de Buenos Aires devem retomar operações

Previsão é de que voos comecem a ser reprogramados a partir das 18 horas; funcionamento só deve se normalizar em três dias

iG São Paulo |

O tráfego aéreo da capital argentina, Buenos Aires, deve ser reaberto às 18 horas desta sexta-feira, mas como há centenas de voos nacionais e internacionais que terão de ser reprogramados, a previsão é de que o funcionamento do Aeroporto Internacional de Ezeiza e do Aeroparque só se normalizem até segunda-feira, segundo o jornal Clarín.

A TAM, a Aerolíneas Argentinas, sua subsidiária Austral, a chilena LAN e outras empresas que operam em Buenos Aires confirmaram que começarão a reprogramar suas chegadas e partidas a partir das 18 horas se as condições metereológicas continuarem favoráveis. Apesar disso, os voos até o sul da Argentina continuam suspensos.

Pelo segundo dia consecutivo, o tráfego aéreo dos dois aeroportos de Buenos Aires e de Montevidéu, no Uruguai, foram cancelados nesta sexta-feira por causa da nuvem de cinzas proveniente do vulcão chileno Puyehue. Na quinta-feira, foram cancelados quase 320 voos em Buenos Aires por questões de segurança.

As autoridades recomendaram aos passageiros que tinham voos programados para esta sexta-feira para consultar as companhias aéreas antes de se dirigir ao aeroporto. O tráfego aéreo continuará suspenso no Uruguai pelo menos até a tarde desta sexta-feira por causa da nuvem de cinzas do vulcão que sobrevoa o território e afetou 6 mil passageiros e 130 voos, disse uma autoridade aeroportuária à AFP.

"Desde às 6h de quinta-feira não tivemos nenhuma atividade" no aeroporto, disse AFP Nelson Rosano, gerente de operações do aeroporto internacional de Carrasco, o principal do Uruguai.

"O prognóstico dado pela (Direção Nacional de) Meteorologia é que isso permaneça pelo menos durante grande parte do dia, e há uma expectativa muito pequena de que ao final da tarde e à noite haja uma melhora, o que poderia possibilitar que algum voo seja retomado", acrescentou.

Na quinta-feira, o presidente uruguaio, José Mujica, suspendeu a visita agendada à capital da Argentina por falta de condições de voo, disse um porta-voz do governo à Reuters, e um encontro de ministros das Finanças e chefes de bancos centrais da América do Sul marcado para esta sexta-feira foi cancelado.

Buenos Aires é um dos principais pontos de conexão aérea para a América do Sul, com dezenas de voos diários para outros países da região, assim como Europa e EUA. Além dos dois aeroportos que atendem Buenos Aires, sete outros regionais na Argentina foram fechados por conta da nuvem de cinzas vulcânicas. De acordo com as autoridades, os voos só serão liberados quando as condições de voo voltarem a ser seguras.

As cidades turísticas de Bariloche e Villa La Angostura - esta a 40 km do vulcão chileno Puyehue - são as mais afetadas pela situação. O resort de Bariloche, no sul da Argentina, estava coberto de cinzas e autoridades locais pediram às pessoas para ficar em casa e não dirigir por conta da baixa visibilidade.

Efeitos no Brasil

Nesta sexta-feira, a TAM anunciou que mantém canceladas suas operações em Montevidéu (Uruguai), voltando a operar somente em Assunção (Paraguai) e a partir das 18 horas em Buenos Aires (Argentina). Os clientes da companhia devem ligar para a Central de Atendimento antes de se dirigir ao aeroporto, nos números: Brasil 4002-5700 (capitais) e 0800-570-5700 (demais localidades); Argentina 0 810 333 3333; Chile 56 2 6767 900; Paraguai 595 21 659 5000; e Uruguai 000 4019 0223.

A GOL manteve nesta sexta-feira a suspensão iniciada na quinta-feira de suas operações em Buenos Aires e Montevidéu. A Central de Relacionamento da empresa está disponível nos números 0300-115-2121 (Brasil), 0810-266-3232 (Argentina) e 5098-2403-8007 (Uruguai).

As duas companhias, a Webjet e a Azul suspenderam temporariamente pela manhã as operações no aeroporto de Porto Alegre . Mas, com a dissipação da nuvem de cinzas sobre o Brasil, a TAM e Gol começaram a retomar os voos nos Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina na tarde desta sexta-feira.

A GOL restabeleceu às 10h suas operações em Florianópolis, Navegantes e Joinville, em Santa Catarina, onde já pode realizar decolagens dentro de seu padrão de segurança.

As cinzas do vulcão chileno Puyehue, que vêm prejudicando voos em diversos países da América do Sul, devem se dissipar até este sábado, segundo afirmou à BBC Brasil o especialista Carlos Benítez, diretor do Centro de Avisos de Cinzas Vulcânicas da Argentina. “As cinzas já não estarão mais aqui (na Argentina) a partir das 18h desta sexta-feira. Já o sul do Brasil e o Uruguai terão apenas vestígios até o fim desta noite”, disse Benítez.

Segundo ele, a região estará livre das cinzas vulcânicas pelo menos até quarta-feira, mesmo que o vulcão entre novamente em erupção de forma mais intensa. “Os ventos de sudeste para nordeste trouxeram as cinzas. Mas eles vão ficar no sentido oeste-leste, a partir desta tarde, levando as cinzas para o Oceano Atlântico”, afirmou o especialista.

O Puyehue, que estava adormecido desde 1961, entrou em erupção no sábado 4 de junho, provocando uma nuvem de cinzas sobre os Andes e atrapalhando o tráfego aéreo na América do Sul há dias. A cadeia de vulcões Puyehue-Cordon Caulle tem cerca de 2 mil vulcões e é a segunda maior do mundo, atrás apenas da Indonésia.

Essa foi a mais recente em uma série de erupções vulcânicas no Chile nos últimos anos. O vulcão chileno Chaitén entrou em erupção de maneira espetacular em 2008 pela primeira vez em milhares de anos, arremessando rochas derretidas e uma vasta nuvem que chegou à estratosfera.

*Com AFP, Reuters e BBC

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