Nuvem de cinza não impedirá enterro de Kaczynski em Wawel

Juan Carlos Barrena. Varsóvia, 16 abr (EFE).- O caos no tráfego aéreo europeu causado por uma nuvem de cinza expelida pelo vulcão da Islândia não impedirá que as cerimônias fúnebres do presidente polonês, Lech Kaczynski, e de sua esposa Maria, ocorram neste domingo com toda solenidade no castelo de Wawel, na Cracóvia.

EFE |

Kaczynski e a mulher morreram juntos com outras 94 pessoas, muitas delas altos cargos institucionais poloneses, no acidente aéreo ocorrido no último sábado no aeroporto militar russo de Smolensk.

O fechamento hoje do aeroporto da Cracóvia devido à nuvem de cinza ameaça a chegada à cidade do sul da Polônia das inúmeras delegações de estadistas que anunciaram sua presença nas cerimônias fúnebres, como os presidentes dos Estados Unidos e da Rússia, Barack Obama e Dimitri Medvedev, respectivamente, e o rei Juan Carlos da Espanha.

Conforme o porta-voz presidencial polonês, Jacek Sasin, a família não quer atrasar os funerais do casal Kaczynski, cujos féretros repousarão em uma urna de alabastro de cor mel na cripta da catedral de San Estasnislao e San Wenceslao da fortaleza de Wawel.

"A família do casal Kaczynski não quer adiar a data do enterro", explicou Sasin, quem anteriormente já havia anunciado que não haveria mudanças no "roteiro" previsto para o funeral do chefe do Estado polonês no Castelo de Wawel.

Esta decisão gerou uma forte polêmica na Polônia e na própria Cracóvia, onde as últimas três noites ocorreram manifestações contrárias ao enterro em Wawel, local onde estão enterrados reis e grandes personalidades polonesas, que elevará Kaczynski ao grau de herói nacional que, o que segundo dizem alguns o presidente não seria merecedor.

São muitos os poloneses que consideram equivocada a decisão tomada pelo cardeal cracoviano Stanislaw Dziwisz de sepultar os Kaczynski em Wawel, já que defendem que o político com o seu perfil não merece repousar no "Olimpo da Polônia".

Enquanto isso, continuam os últimos preparativos para a homenagem que será realizada neste sábado na praça de Pilsudski, junto ao túmulo do Soldado Desconhecido, em pleno centro de Varsóvia e ao que espera-se que participem até um milhão de pessoas, segundo dados da própria Prefeitura da capital polonesa.

A cúria de Varsóvia fez hoje um chamado aos cidadãos para que assistam aos inúmeros ofícios que serão realizados em todas as paróquias da cidade e participem das homenagens no centro da capital.

No entanto, até o momento só foram repatriados 67 dos 96 corpos das vítimas da tragédia de Smolensk, entre eles os do casal Kaczynski, o último presidente da Polônia no exílio, Ryszard Kaczorowski, o bispo Tadeusz Ploski, e o presidente do Instituto para a Memória Nacional (IPN), Janusz Kurtyka.

Os corpos de outras seis vítimas que deviam ter sido repatriados hoje permanecem em Moscou, depois do anúncio do fechamento do aeroporto de Varsóvia pela nuvem vulcânica, enquanto está pendente ainda a identificação dos últimos 20 corpos.

Enquanto isso, as autoridades decretaram a "lei seca" e a proibição da venda de bebidas alcoólicas no sábado em Varsóvia e no domingo na Cracóvia por ocasião dos funerais.

A mãe dos gêmeos Kaczynski, Jadwiga Kaczynski, segue sem saber que seu filho e presidente da Polônia, Lech Kaczynski, morreu no sábado na tragédia aérea de Smolensk, e não estará presente ao enterro previsto para este sábado na Cracóvia.

"Onde esta meu filho?", pergunta a mãe dos gêmeos Lech e Jaroslaw Kaczynski, quem "não tem condições de deixar o hospital", explicou à emissora "RMF FM", o porta-voz do partido conservador Lei e Justiça (PiS) e formação fundada pelos Kaczynski, Adam Bielan.

A mãe de Lech e Jaroslaw Kaczynski está em um delicado estado de saúde e permanece há várias semanas hospitalizada e está dependente de aparelhos, o que torna conveniente esconder as graves notícias que poderiam fazê-la piorar. EFE jcb-nt/dm

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