Em visita às áreas afetadas, secretário-geral da ONU faz novo apelo para que doadores internacionais ajudem os paquistaneses

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou neste domingo que o desastre causado pelas enchentes no Paquistão é o maior que já viu em toda a sua vida.

"Já testemunhei muitos desastres naturais pelo mundo, mas nenhum como esse", afirmou Ban, durante visita às áreas afetadas.

"O dia de hoje partiu meu coração. Nunca vou esquecer a destruição e o sofrimento que testemunhei", disse Ban, após um voo pelas regiões mais devastadas ao lado do presidente paquistanês, Asif Ali Zardari.

"A escala deste desastre é tão grande, tantas pessoas em tantos lugares, necessitando de tanto. Quase um em cada dez paquistaneses foi afetado direta ou indiretamente", completou.

As enchentes, que começaram há cerca de duas semanas, já atingem um quarto do país.  Embora o número de mortos - cerca de 1.600 - seja menor do que o registrado em tragédias recentes (em 2008, um ciclone matou 138 mil em Mianmar e um terremoto causou 90 mil vítimas em Sichuan, na China - áreasque também foram visitadas por Ban Ki-moon), a escala de pessoas afetadas é impressionante: 20 milhões de paquistaneses, segundo o governo.

Na quarta-feira, a ONU fez um apelo para que a comunidade internacional arrecadasse cerca de US$ 460 milhões para ajudar o Paquistão. Até agora, apenas 20% desse valor foi arrecadado.

Depois que a água ceder, bilhões de dólares ainda serão necessários para a reconstrução e para ajudar as pessoas a voltar ao trabalho em um país que já é pobre e tem cerca de 170 milhões de moradores. "Estas ondas de enchente precisam ser acompanhadas por ondas de apoio", disse Ban Ki-moon. "Estou aqui para pedir que o mundo dê assistencia."

O embaixador paquistanês para as Nações Unidas, Zamir Akram, criticou a resposta internacional à crise humanitária em seu país. Em entrevista à BBC, ele afirmou que a intensidade da devastação somente está sendo reconhecida somente agora e que até agora a ajuda não chegou ao país.

Mas ele diz esperar que a situação melhore a partir de agora. "Não acho que o Paquistão foi abandonado. Conforme a informação sobre a gravidade da situação e sobre a extensão dos danos provocados por estas enchentes sem precedentes se espalha pelo mundo, a resposta está melhorando", disse.

Com AP e BBC

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