Números sobre gripe suína não são confiáveis, segundo especialistas

As estatísticas sobre o número de casos e de óbitos ligados à gripe suína não são confiáveis, especialmente porque a maior parte das pessoas contaminadas não são computadas, revela um estudo publicado nesta quarta-feira pelo British Medical Journal.

AFP |

Segundo o último relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), já foram registrados 94.512 casos de gripe A (H1N1), com 429 óbitos.

O índice de mortalidade é de 0,5%, apenas um pouco acima do índice da gripe comum, mas especialistas do Imperial College de Londres advertem para "interpretações simplistas destas cifras".

Um dos problemas é que não entram nas estatísticas as pessoas contaminadas que não apresentam sintomas ou que tem apenas sintomas leves.

Os pesquisadores apontam também para as grandes disparidades nos índices de óbitos em cada país. No México, por exemplo, morreram 119 das 10.292 pessoas diagnosticadas com gripe suína, uma taxa duas vezes superior a de Canadá, Estados Unidos e Europa.

A explicação poderia estar na maior virulência do vírus que circula no México, mas também na possibilidade de o número real de contaminados ser muito superior ao apurado pelas autoridades mexicanas.

O estudo adverte ainda para um possível aumento de infartos e paradas cardíacas ligados à gripe A, que não apareceriam nas estatísticas.

Os autores destacam a importância de se dispor de números confiáveis sobre o vírus, que poderá sofrer mutação e ampliar sua virulência e contágio.

Neste caso, uma maior periculosidade do vírus poderia demorar a ser detectada, advertem os especialistas.

ri/LR

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