Números sobre emprego nos EUA dão indícios de que pior já passou

Washington, 8 mai (EFE).- O índice de desemprego nos Estados Unidos subiu 0,4 ponto a 8,9% em abril, nível mais alto em 25 anos, porém o ritmo de perda de postos de trabalho diminuiu entre indícios de que o pior da recessão econômica pode ter passado.

EFE |

O Departamento de Trabalho informou hoje que, após uma perda de 699 mil empregos em março, em abril desapareceram 539 mil vagas, o menor número dos últimos seis meses.

A maioria dos analistas esperava uma perda de 630 mil empregos no mês passado.

"Passo a passo começamos a conseguir progressos" na crise econômica, afirmou o presidente Barack Obama.

Em um ato em que anunciou medidas que ajudarão trabalhadores desempregados a se capacitar para conseguir novos empregos, Obama afirmou que é "encorajador" que o número de empregos perdidos seja o mais baixa em um semestre.

O presidente frisou, porém, que a crise demorou um tempo para ser contornada e que "levará meses, talvez anos", para superá-la.

Caso se leve em conta as pessoas que abandonaram a busca por emprego e as que tiveram que se conformar com trabalhos temporários, o índice de desemprego e subemprego em abril é de 15,8%, o mais alto desde 1994.

O número total de desempregados, que em março era de 13,2 milhões, subiu em abril a 13,7 milhões de pessoas.

Um aspecto positivo no mercado de trabalho foi o aumento na contratação governamental de trabalhadores, que subiu 72 mil empregos em abril, após um corte de seis mil em março.

O escritório do censo começou no mês passado a contratação de 140 mil empregados temporários que prepararão uma estimativa de população em 2010.

No total, o escritório do censo contratará mais de 1,4 milhão de pessoas ao longo do ano.

Desde que começou a recessão, em dezembro de 2007, a maior economia do mundo perdeu 5,7 milhões de postos de trabalho, o maior desgaste do emprego registrado em todas as recessões desde a Grande Depressão, dos anos 1930.

Os 16 meses seguidos de redução do emprego afetaram todos os setores da atividade fabril e o comércio varejista. As únicas áreas onde se manteve um aumento do emprego foram o Governo e as profissões relacionadas com o cuidado da saúde e da educação.

Durante os períodos de expansão econômica se considera nos EUA que a economia deve criar a cada mês cerca de 150 mil vagas, para absorver o crescimento natural da mão-de-obra.

Em semanas recentes, as autoridades governamentais apontaram alguns indícios de desaceleração na deterioração econômica e dados isolados que mostram para uma iminente reativação. Porém, é pouco provável que isso melhore imediatamente a situação no mercado de trabalho.

Durante uma recessão, muitas pessoas, desanimadas com as baixas remunerações e a ausência de benefícios, simplesmente abandonam a busca por emprego e, portanto, desaparecem das estatísticas.

Nesses casos, o índice oficial de desemprego não os leva em contra e quando se reativa a economia, os dados podem se manter sem mudanças durante alguns meses devido ao retorno dessas pessoas à força de trabalho.

O relatório de hoje mostra que o setor fabril, que em março tinha perdido 167 mil postos de trabalho, perdeu outros 149 mil em abril, incluindo 29.100 empregos em montadores de automóveis e indústrias de autopeças.

No setor da construção, a perda de 110 mil empregos em abril se uniu à de 135 mil em março; entre as empresas financeiras, que em março tiveram perda de 43 mil empregos, em abril houve uma de 40 mil postos de trabalho.

O setor de serviços, que inclui bancos, restaurantes e comércio no varejo, reportou em março uma perda de 381 mil vagas e, em abril, de 269 mil empregos. EFE jab/rr

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