Números ruins não abalam esperança do Fed na economia dos EUA

Washington, 29 abr (EFE).- O Federal Reserve (Fed, banco central americano) manteve hoje sem mudanças sua política monetária e afirmou que acredita em uma melhora modesta da economia dos Estados Unidos que, entre outubro e março passado, teve o pior desempenho em mais de seis décadas.

EFE |

O Comitê de Mercado Aberto do Fed, responsável pela política monetária, anunciou que manterá por um tempo prolongado a taxa básica de juros entre 0% e 0,25%.

Poucas horas antes, o Departamento de Comércio, em seu cálculo preliminar sobre o Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre do ano, afirmou que a taxa anual de contração foi de 6,1% .

No trimestre anterior, tinha sido de 6,3% e a maioria dos analistas havia calculado uma melhora com um ritmo anual de contração de 5%. No entanto, os mercados financeiros encararam o dado com tom positivo, e as ações subiram durante toda a manhã.

O anúncio sobre os juros não surpreendeu, mas após o diagnóstico econômico do Fed, as cotações deram outro impulso de alta em um ambiente de intensa atividade.

O Fed indicou que a informação recebida desde sua reunião anterior, em março, mostra uma economia que "seguiu se contraindo, embora o ritmo de recuo pareça ter diminuído um pouco".

A despesa das famílias mostrou sinais de estabilização, "mas segue limitada pelas perdas de emprego, a desvalorização do patrimônio e a escassez de crédito", ainda segundo o Fed.

A decisão sobre política monetária, aprovada por unanimidade, antecipa que "é provável que as condições econômicas cheguem a níveis excepcionalmente baixos de juros para os fundos federais por um período prolongado".

O relatório do Departamento de Comércio mostra que a medida de inflação preferida pelo Fed - que exclui da despesa de consumo os preços de alimentos e combustíveis - subiu a um ritmo anual de 1,5% no primeiro trimestre de 2009.

Este nível está dentro das margens que o banco central americano considera aceitáveis.

"Embora o panorama econômico tenha melhorado modestamente desde a reunião de março, em parte como reflexo de um certo afrouxamento nas condições do mercado financeiro, é provável que a atividade econômica siga sendo frágil por um tempo", diz o comunicado.

A nota diz também que diante "de uma crescente fragilidade da economia nos EUA e no exterior, o comitê espera que a inflação se mantenha baixa".

De fato, "o comitê percebe certo risco de que a inflação possa persistir por um tempo em taxas abaixo das apropriadas para estimular o crescimento econômico e a estabilidade dos preços a longo prazo".

O comunicado lembrou que, tal como tinha sido anunciado, o Fed adquirirá até US$ 1,25 trilhão em títulos respaldados em hipotecas e até US$ 200 bilhões em dívidas antes do fim do ano.

Segundo o texto, o Fed comprará ainda "US$ 300 bilhões em bônus do Tesouro" nos próximos meses.

A maioria dos analistas econômicos do setor privado concorda que as condições melhoraram nas últimas semanas e esperam que a contração diminua a um ritmo anual de 2% no segundo trimestre.

Mesmo assim, outro trimestre de contração na recessão, que começou em dezembro de 2007, marcaria o período negativo mais prolongado na atividade econômica dos EUA desde a Grande Depressão dos anos 1930.

O comunicado do Fed apontou que "as frágeis perspectivas das vendas e as dificuldades para a obtenção de crédito levaram as empresas a reduzir seus estoques, seus investimentos fixos e seus funcionários". EFE jab/rr

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