Número de vítimas palestinas dispara na Faixa de Gaza

O número de vítimas da ofensiva israelense na Faixa de Gaza disparou nesta quinta-feira, subindo para 763 mortos, após novos ataques mortíferos e a recuperação de muitos corpos pelos socorristas durante uma pausa nos bombardeios.

AFP |

A situação humanitária, que já é grave, ainda pode piorar, com o anúncio pela Agência da ONU de ajuda aos refugiados palestinos (UNRWA) da suspensão de todas suas atividades no território, depois de um de seus comboios ter sido atingido por obuses israelenses. Um motorista palestino morreu no incidente, perto do terminal de Erez.

"A UNRWA suspendeu suas operações em Gaza", afirmou Chris Gunness, porta-voz da agência. "Vamos manter esta suspensão até que as autoridades israelenses possam garantir a segurança de nossas equipes", acrescentou.

Paralelamente, foguetes disparados no Líbano se abateram sobre o norte de Israel.

A ofensiva israelense na Faixa de Gaza, que entrou no seu 13º dia, já deixou 763 mortos, segundo o chefe dos serviços de emergência na Faixa de Gaza, Muawiya Hassanein, que também mencionou mais de 3.200 feridos.

Cerca de vinte pessoas, entre elas mulheres e crianças, morreram em novos ataques israelenses. Os socorristas aproveitaram a pausa diária de três horas nos bombardeios para retirar corpos sob os escombros de prédios destruídos ou abandonados nas zonas de combate.

"O número de vítimas aumentou, depois da evacuação de muitos corpos de zonas às quais não tínhamos acesso, sobretudo em Jabaliya e Atatra (norte) e Zeitun (um bairro da Cidade de Gaza)", explicou Hassanein.

A maior parte das vítimas morreu ao ser atingida por tiros israelenses nos setores de Beit Layha e Jabaliya (norte).

Um oficial israelense foi morto e um soldado ficou ferido em combates ao norte da Cidade de Gaza, segundo o Exército de Israel. Assim, subiu para oito o número de militares israelenses mortos desde o início da ofensiva, em 27 de dezembro.

Além disso, 18 casas palestinas foram destruídas ou danificadas no bombardeio por Israel de túneis utilizados para o contrabando em Rafah, na fronteira entre a Faixa de Gaza e o Egito. Centenas de famílias fugiram do setor.

No âmbito diplomático, um emissário de Israel estudou nesta quinta-feira no Cairo uma proposta de cessar-fogo elaborada pelos presidentes do Egito, Hosni Mubarak, e da França, Nicolas Sarkozy.

Este plano prevê "um cessar-fogo imediato por um tempo limitado" para permitir a abertura de corredores humanitários, a continuação dos esforços egípcios em prol de uma trégua permanente e o reforço da segurança nas fronteiras da Faixa de Gaza antes de uma eventual reabertura.

O Hamas e outros movimentos radicais palestinos baseados em Damasco consideraram que a iniciativa egípcia "não constitui uma base válida" para a instauração de uma trégua, segundo um porta-voz palestino.

Pela segunda semana consecutiva, o Hamas convocou os palestinos para "um dia de fúria" na sexta-feira, com manifestações na parte leste de Jerusalém e na Cisjordânia.

Pelo segundo dia seguido, Israel interrompeu por três horas seus bombardeios na Cidade de Gaza para permitir à população comprar mantimentos, água e combustível. Tiroteios esporádicos foram registrados durante esta pausa.

Para o primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, a ofensiva israelense constitui uma nova 'nabka', a "catástrofe" que foi para os palestinos a criação, em 1948, de Israel em 75% da Palestina histórica.

As agências humanitárias denunciaram uma crise "total" no território pobre e densamente povoado, onde falta água, comida, combustível e energia.

Israel alega que o objetivo de sua ofensiva é obrigar o Hamas a parar com os disparos de foguetes, que mataram quatro israelenses desde o dia 27 de dezembro. Dezesseis foguetes foram atirados nesta quinta-feira contra o sul de Israel, ferindo quatro soldados, segundo o Exército israelense.

No norte de Israel, pelo menos dois foguetes Katiucha disparados no Líbano caíram no oeste da Galiléia, na área da cidade de Nahariya e do kibbutz Kabri, ferindo levemente duas mulheres.

Em resposta, o Exército de Israel atirou vários obuses na direção do Líbano, destacou um porta-voz militar.

Os disparos não foram reivindicados, mas fontes militares israelenses acusaram grupos palestinos contrários à ofensiva em Gaza. O Hezbollah, maior inimigo de Israel no Líbano, desmentiu nesta quinta-feira qualquer envolvimento.

Na Cisjordânia, um palestino foi morto nesta quinta-feira por policiais quando se preparava para incendiar um posto de gasolina, informou a polícia israelense.

bur/ezz/yw

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