Londres, 16 ago (EFE).- O número de militares britânicos mortos no Afeganistão desde o início em 2001 da presença militar do Reino Unido no país asiático superou os 200, depois que um soldado que ficou ferido após uma explosão morreu em um hospital.

No sábado morreu outro soldado enquanto patrulhava a pé a localidade de Sangin, na província de Helmand, em consequência da explosão de uma bomba escondida, a principal causa de mortes entre o contingente britânico.

Em declaração, o primeiro-ministro, Gordon Brown, expressou suas condolências às famílias e manifestou que seguir adiante com a missão no Afeganistão é "uma coisa que se deve a quem morreu".

"Meu compromisso é claro: devemos e faremos com que o Reino Unido seja um lugar mais seguro alcançando um Afeganistão mais estável", afirmou.

Brown reiterou que a primeira linha de combate contra o terrorismo da Al Qaeda está no Afeganistão e nas regiões fronteiriças com o Paquistão, onde, segundo afirmou, se escondem e organizam os grupos que preparam potenciais atentados no Ocidente.

"Honraremos e apoiaremos aos que morreram ou ficaram feridos no campo de batalha, e daremos a quem continua lutando o apoio que precisam para ter sucesso nesta missão vital", disse.

O ministro da Defesa, Bob Ainsworth, também defendeu a importância "vital" da missão militar no Afeganistão para os interesses nacionais, e acrescentou: "não podemos fracassar".

Ainsworth destacou que a operação "Garra de Pantera", que entre julho e agosto custou a vida de 30 no contingente britânico, serviu para "limpar" Helmand de talibãs e garantir a segurança nessa região para as eleições gerais do próximo dia 20.

O ministro da Defesa rejeitou a noção de que esta seja uma guerra impossível de ganhar e considerou "uma bobagem absoluta" as valorizações de alguns militares britânicos, que preveem uma presença militar no Afeganistão de entre 30 e 40 anos.

Ainsworth lembrou que uma das missões do Reino Unido é formar o Exército e as forças de segurança do Afeganistão, de modo que "eles sejam capazes de se defender de si mesmos".

Sobre a possibilidade de entabular conversas com os talibãs, o ministro disse que há diferenças insuperáveis com alguns grupos, mas que "há outros elementos" com os quais se poderia tentar um processo de reconciliação nacional.

"Não podemos forçar o Governo afegão a falar com eles, mas sim podemos encorajar essas conversas", declarou Ainsworth.

Desde o terreno militar, o general Richard Kemp, primeiro geral que dirigiu a força militar em Helmand, disse que "os talibãs aprenderam uma lição muito dura, que não podem lutar tête-à-tête, e portanto têm que recorrer às bombas".

"Embora nosso número de mortes seja ruim, a deles é consideravelmente pior. Estamos falando que por cada soldado morto nosso há 100 mortos entre os talibãs", assegurou.

Mas entre as famílias dos soldados mortos há um crescente desengano e se pede ao Governo uma retirada do Afeganistão.

Graham Knight, cujo filho morreu em uma explosão em 2006, afirmou que o Governo está ignorando que "tem sangue em suas mãos" e está fechando os olhos a um inútil derramamento de sangue.

"Fomos com nossos olhos fechados e nossos bolsos fechados - referência às críticas pela suposta falta de equipamento das tropas britânicas -. Duzentas vidas depois, continuam fechados", disse Knight.EFE fpb/ma

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