Número de pobres cai 20,9% de 2002 a 2008, diz Ipea

O percentual de pobres nas principais regiões metropolitanas do Brasil caiu 20,9% entre 2002 e 2008, enquanto o porcentual de ricos permaneceu estável, apontam os dados de um novo estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), divulgado nesta terça-feira em Brasília. Em 2002, havia 14.

BBC Brasil |

352.753 indivíduos considerados pobres no país (renda igual ou inferior a R$ 207,50), em 2007, este número estava em 11.756.563. Segundo as projeções do Ipea, esse total deverá diminuir ainda mais em 2008.

A melhora foi ainda mais acentuada no percentual de indigentes (quem recebe um quarto do salário mínimo): de 5,57 milhões para 3,12 milhões de pessoas em 2008 - ou uma queda de 43,8%.

A parcela dos ricos, ou aqueles que pertencem a famílias com rendimento mensal de 40 salários mínimos ou mais (R$ 16,6 mil), voltou ao patamar de 2002 (1%) em 2007. Em 2008 esse percentual deverá permanecer estável, segundo o Ipea.

Em 2003, esse grupo havia caído para 0,8% - uma "importante redução de 20%", destaca o estudo, mas começou a crescer de novo em 2005.

Elaborada pelo presidente do Ipea, Marcio Pochmann, a pesquisa Pobreza e riqueza no Brasil metropolitano analisou seis regiões metropolitanas: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Salvador.

Essas regiões concentram 25,4% da população brasileira, em torno de 17% dos pobres do país e 42% dos ricos, de acordo com dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios).

A maior queda no número de pobres ocorreu na região metropolitana de Belo Horizonte, onde o contingente de caiu de 38,3% em 2002 para 24,1% em 2007 e, segundo projeções, deverá chegar a 23,1% em 2008.

Recife, com 44,9% de pobres, e Salvador, com 39,2%, são as regiões metropolitanas com maiores índices de pobreza em 2007, de acordo com a pesquisa.

São Paulo e Porto Alegre, por sua vez, têm as menores taxas de pobreza, 21,9% e 20,6% - respectivamente.

Segundo as projeções do Ipea para 2008, São Paulo ganha de longe de todas as regiões metropolitanas, com 4 milhões de pobres (ou 35,7% do total de pobres no conjunto das regiões metropolitanas).

O Rio de Janeiro está em segundo lugar nos números absolutos, com 2,6 milhões de pobres (22,3%). Por outro lado, o estudo ressalta que as duas principais capitais do Sudeste também tiveram a queda mais expressiva no número de pobres - 1.152 milhão de pessoas saíram dessa condição em São Paulo e 571 mil na região metropolitana do Rio.

A região metropolitana de Recife foi a que mais ganhou participação no contingente de pobres no país no período analisado no estudo, passando de 12,2% em 2002 para 13,6% em 2007.

Além de ter tido os maiores avanços na questão da pobreza, BH foi a única região metropolitana que em 2007 aumentou a participação dos mais ricos na sua população (de 0,7% para 1,0%) em relação a 2002.

O estudo ressalta, porém, que tomando como base o ano de 2003, "verifica-se que todas as regiões metropolitanas tiveram, em 2007, maior peso relativo dos indivíduos pertencentes às famílias com rendimento mensal acima de 40 salários mínimos mensais".

Se considerado a total da população "rica" nas regiões metropolitanas, 50,9% delas estão em São Paulo, 21,4% no Rio, 10,6% em Belo Horizonte, 7,1% em Salvador, 5,2% em Recife e 4,5% em Porto Alegre.

Embora o estudo não meça variações na renda da classe média, o Ipea interpreta os números como uma demonstração de que "o crescimento produtivo do país veio acompanhado de uma melhora na renda das famílias em todas as faixas".

Por outro lado, o instituto ligado ao Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República diz ser "necessário notar que os significativos ganhos de produtividade não estão sendo repassados aos salários, indicando que os detentores dos meios de produção podem estar se apoderando de parcela crescente da renda nacional".

A fim de demonstrar isso, o Ipea destaca o contraste aumento da produção física da indústria brasileira, de 28,1%, e dos ganhos de produtividade do trabalhador, de 2,6%, com os ganhos na folha de pagamento do trabalhador, de apenas 10,5%.

"Noutras palavras, a remuneração dos trabalhadores não tem acompanhado plenamente os ganhos de produtividade da indústria brasileira", conclui o estudo.

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