Número de pessoas expostas à radiação no Japão pode chegar a 160

Embora minimize risco de acidente nuclear, governo começou a evacuar 200 mil pessoas que vivem próximas a usinas nucleares

iG São Paulo |

nullO número de indivíduos expostos à radiação liberada pela usina nuclear de Fukushima Daiichi, no nordeste do Japão, pode chegar a 160, de acordo com estimativas traçadas por um representante da Agência de Segurança Industrial e Nuclear japonesa. A informação foi divulgada na manhã deste domingo no horário local, início da noite de sábado no horário de Brasília.

Embora autoridades tenham minimizado os riscos de um acidente nuclear de grandes proporções, o governo começou a evacuar cerca de 200 mil pessoas que vivem em áreas próximas a duas usinas nucleares danificadas pelo terremoto que atingiu o país na última sexta-feira.

A situação em Fukushima, que fica a 250 quilômetros da capital Tóquio, é considerada a mais grave. O governo deu início à retirada de aproximadamente 170 mil pessoas que vivem num raio de 20 quilômetros no entorno da usina.  

Segundo a TV japonesa NHK, três pessoas estão sob tratamento médico por terem sido expostas à radiação. Eles foram escolhidos aleatoriamente entre 90 pessoas para serem testadas. No sábado, quando começou a relatar os primeiros casos, a Prefeitura de Fukushima alegava que ninguém havia apresentado problemas de saúde até aquele momento. O grupo era formado por moradores da região próxima à usina que tinham buscado abrigo em uma escola após o acidente, enquanto esperavam por um helicóptero que iria retirá-los do local.

Acidente

O reator de número 1 da usina atômica de Fukushima liberou vapor radioativo após o forte terremoto e o tsunami que atingiu o nordeste do Japão. A operação ocorreu como resposta aos danos provocados no sistema de refrigeração da planta, em um esforço para aliviar os níveis de pressão sobre o reator.

As autoridades japonesas classificaram o acidente como de nível 4, ou seja, "com consequências locais". Na escala, que vai de 0 a 7, o desastre de Chernobyl, ocorrido na Ucrânica em 1996, foi qualificado como de nível 7. No sábado, em meio à repercussão sobre o episódio, o primeiro-ministro do Japão, Naoto Kan, assegurou que foram liberadas " quantidades mínimas de radiação ".

De acordo com o porta-voz do governo japonês, Yukio Edano, o reator nuclear não foi danificado e a pressão sobre ele diminuiu após a explosão. As autoridades também insistiram que os níveis de radiação na região diminuem progressivamente.

Reuters
Agentes procuram por sinais de radiação em crianças que foram retiradas de área próxima à usina de Fukushima

Após a falha no sistema de refrigeração dos reatores da usina, na sexta-feira, o governo decretou estado de emergência , englobando a planta Fukushima 1 e a vizinha Fukushima 2. As duas centrais nucleares estão separadas por 12 km. Sob a lei japonesa, uma emergência deve ser declarada sempre que um mecanismo de resfriamento falha. No total, o Japão possui 55 reatores em operação, que respondem pelo fornecimento de cerca de um terço da eletricidade do país. Segundo um especialista brasileiro , o risco de contaminação ambiental ainda é pequeno.

A radioatividade registrada na sala de controle de um reator da central de Fukushima 1 chegou a atingir um nível mil vezes superior ao normal, após o terremoto.

Maior tremor da história do Japão

O terremoto de 8,9 graus de magnitude atingiu a costa nordeste do Japão e provocou um tsunami em cidades na região norte. De acordo com o Instituto de Geofísica dos Estados Unidos (USGS), trata-se do maior tremor já registrado no Japão e o 7° maior da história mundial .

Até hoje, o mais forte terremoto do Japão tinha acontecido em 1933. Com 8,1 graus de magnitude, o tremor atingiu a região metropolitana de Tóquio e matou mais de 3 mil pessoas.

Os tremores de terra são comuns no Japão, um dos países com mais atividades sísmicas do mundo, já que está localizado no chamado "anel de fogo do Pacífico". O país é atingido por cerca de 20% de todos os terremotos de magnitude superior a 6 que acontecem em todo o planeta.

Arte/iG
Localizaçao de usina nuclear

Com AP, EFE, BBC e Reuters

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