Número de mortos sobe para ao menos 150 na Nigéria

Série de ataques coordenados iniciados na sexta na 3ª maior cidade do país deixou entre 150 e 162 mortos pelo menos

iG São Paulo |

Uma série de ataques coordenados iniciados na sexta-feira deixou ao menos 150 mortos na terceira maior cidade da Nigéria, Kano. De acordo com a Associated Press, ruídos de disparos ainda ecoam em algumas áreas da cidade de 9 milhões de habitantes.

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O número exato de mortos ainda não está claro. Um repórter da BBC disse ter contado 150 corpos em um necrotério no principal hospital da cidade, enquanto uma fonte militar indicou à rede de TV americana CNN que há ao menos 156 mortos. Já a Associated Press indicou que, segundo uma fonte hospitar, há 143 mortos, enquanto a AFP afirmou ter contado 162.

Inicialmente, a polícia de Kano havia confirmado sete mortos. Um toque de recolher de 24 horas foi decretado na cidade desde sexta-feira, quando os ataques foram iniciados depois das preces muçulmanas e enquanto as lojas fechavam por causa da chegada do fim de semana.

Os atentados foram reivindicados pelo grupo islâmico fundamentalista Boko Haram , cujo nome significa ''educação ocidental é sacrilégio''. A organização esteve por trás de uma série de ações violentas na região norte da Nigéria, de população predominantemente muçulmana, em uma campanha para implementar a rígida lei da sharia (código islâmico) no país.

Por conta dos ataques, ativistas que organizavam um protesto para este sábado decidiram cancelar o evento. Soldados e policiais lotaram as ruas da cidade neste sábado, mas sua efetividade fica em dúvida, já que corpos uniformizados de muitos de seus colegas estão estendidos no necrotério do maior hopital de Kano.

Protestos e violência

Além da violência sectária, a Nigéria tem sido marcada nos últimos dias por uma série de manifestações populares contra o projeto do governo de cortar subsídios à gasolina no país. Sob pressão dos protestos populares, o governo chegou a rever, parcialmente, seus planos em relação aos subsídios.

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Em uma declaração divulgada no fim da sexta-feira, o porta-voz da polícia Olusola Amore disse que os agressores tiveram como alvo cinco prédios policiais, dois escritórios de imigração e a sede local do Serviço de Segurança do Estado, a polícia secreta da Nigéria. Nuvens de fumaça se ergueram sobre a cidade enquanto moradores em pânico tentavam fugir das áreas em que as explosões foram registradas.

Uma testemunha do ataque lançado contra uma delegacia no sul da cidade contou ter visto seis pistoleiros chegando de carro e de moto e disparando de modo a abrir caminho, antes de detonar uma bomba.

De acordo com a BBC, esse é o mais grave ataque já realizado pelo grupo Boko Haram contra a polícia e representa um constrangimento para as autoridades do país. Abul Qaqa, um porta-voz do Boko Haram, disse na cidade de Maiduguri, no nordeste da Nigéria e que abriga o QG do grupo militante, que os ataques foram uma resposta à recusa das autoridades em libertar militantes da organização que estão presos.

*BBC Brasil, AP

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