Número de mortos por terremoto na China supera os 62 mil

Pequim - A apuração dos mortos pelo terremoto de 8 graus na escala Richter que atingiu a China em 12 de maio chegou hoje a 62.664 e o de desaparecidos a 23.775, segundo dados do Ministério de Assuntos Civis.

Redação com agências internacionais |

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  • Em entrevista coletiva, o Escritório de Informação do Conselho de Estado assinalou que o número de feridos é ligeiramente superior ao de ontem.

    O pior risco provém agora do iminente transbordamento dos 69 lagos formados pelos deslizamentos de terra e rochas que se desprenderam pelo terremoto, assinalou o Ministério de Recursos de Água nessa mesma entrevista coletiva.

    Faltam tendas para desabrigados

    As autoridades chinesas pediram mais tendas de campanha para alojar aos mais de 14,4 milhões de desabrigados pelo terremoto do dia 12 de maio, que até agora causou mais de 60.000 mortos, e anunciaram o início das tarefas de reconstrução.

    O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, disse na devastada localidade de Yingxiu, onde se assentaram sobreviventes sem-teto, que embora os trabalhos de resgate continuem, o objetivo mudará gradualmente para a reconstrução e o realojamento dos desabrigados.

    "A maior dificuldade agora é a falta de tendas de campanha. Reunimos tendas de todo o país e temos recebido ajuda do resto do mundo, mas ainda precisamos de mais", explicou Wen, citado hoje pela agência de notícias "Xinhua".

    A iminente chegada da temporada de chuvas na zona arrasada, no sudoeste da China, acrescenta o risco de transbordamento dos 34 lagos formados pelos deslizamentos das montanhas nos rios, com uma massa de água que ameaça transbordar sobre as localidades já destruídas.

    O deficit de tendas, calculam as autoridades chinesas, é de cerca de 3,3 milhões, e até sexta-feira passada tinham sido enviadas para a região cerca de meio milhão delas.

    Os fabricantes de tendas de campanha do leste da China estão produzindo 30.000 unidades diárias que são enviadas imediatamente para a arruinada província de Sichuan, onde foi localizado o epicentro do tremor de 8 graus de magnitude na escala Richter.

    A este ritmo, em um mês se terá conseguido fabricar quase um milhão de tendas, mas insuficientes para dar teto a toda a população que dorme ao relento.

    Os países estrangeiros prometeram doar cerca de 151.900 tendas, das quais 11.500 já chegaram à região, procedentes de países tão diversos como Paquistão, Malásia, Rússia, Holanda, França, Arábia Saudita, Reino Unido, Estados Unidos e da Agência para os Refugiados da ONU (Acnur).

    5,4 milhões de casas destruídas

    Segundo dados do governo central, mais de 5,4 milhões de casas ficaram destruídas e outras 21,4 milhões danificadas. Segundo as autoridades, mais de 11 milhões de pessoas precisarão ser reinstaladas.

    O primeiro-ministro disse que também se agiliza a produção de casas provisórias para garantir que a vida dos sobreviventes volte à normalidade em três meses.

    O Ministério da Habitação informou ontem que devem construir 1,5 milhão de casas provisórias nas áreas afetadas de Sichuan, e esperam que este teto dure pelo menos três anos.

    Cada uma destas habitações com 20 metros quadrados será fabricada com estruturas resistentes a tremores, acrescentou.

    A população se pergunta por que a maioria dos prédios que desabaram eram escolas, o que fez com que 12% das vítimas fatais tenha sido de crianças, e não prédios governamentais, enquanto os especialistas citam a corrupção do setor imobiliário como um dos motivos.

    O Ministério assinalou que entre as estruturas previstas haverá escolas e hospitais, enquanto abriu uma investigação sobre o desabamento do que é conhecido na China como "prédio tofu" (tofu é um alimento de origem chinesa feito de soja, parecido com o queijo).

    Mortos devem superar os 80 mil

    O primeiro-ministro chinês disse ontem que teme-se que o número total de mortos supere os 80.000, já que 23.775 pessoas ainda permanecem desaparecidas sob os escombros e em localidades isoladas.

    Outra das seqüelas do terremoto é a aparição de focos epidêmicos por causa da decomposição dos corpos, a proliferação de roedores e o acesso a fontes de água não potável.

    Ontem, o secretário-geral da ONU Ban Ki-moon estave com Wen Jiabao em Yingxiu, o epicentro do terremoto de 8 graus na escala Richter que arrasou a província de Sichuan no dia 12 de maio. A cidade, que tinha cerca de 10.000 habitantes antes da catástrofe, está totalmente destruída.

    Ban Ki-moon chegou à China depois de uma visita a Mianmar, onde obteve sexta-feira da Junta Militar a promessa de deixar entrar todos os trabalhadores humanitários estrangeiros para ajudar os sobreviventes do ciclone Nargis .

    Ao contrário, em Sichuan, o secretário-geral da ONU elogiou a reação rápida de Pequim depois do terremoto.

    "Meu coração se encheu de tristeza ao ver as devastações. Porém, ao mesmo tempo, pude ver os ministros chineses trabalhando muito para superar esta tragédia num espírito de solidariedade, de cooperação, de determinação e de coragem", afirmou.

    "Se trabalharmos duro, conseguiremos superar isso. Vocês (os chineses) podem contar com todo o apoio da comunidade internacional", prosseguiu.

    AP
    AP
    Homem soterrado por mais
    de uma semana é socorrido
    Wen Jiabao agradeceu à comunidade internacional por sua ajuda e afirmou que o governo aplicou "uma política de abertura, porque este terremoto não é apenas um desastre para o povo chinês, mas também para toda a humanidade".

    Ajuda internacional

    Depois de algumas hesitações, o governo chinês autorizou a entrada de equipes de socorristas e médicos estrangeiros.

    No sábado, no momento em que o presidente russo, Dmitri Medvedev, encerrava em Pequim uma visita de dois dias, o Exército russo enviava à China oito aviões carregados com material humanitário, sobretudo barracas, cobertores e cozinhas móveis.

    De acordo com representantes americanos, os Estados Unidos enviaram esta semana três aviões militares carregados de ajuda a Chengdu, a capital da província de Sichuan.

    Na cidade de Dujiangyan, a Cruz Vermelha alemã instalou um hospital móvel.

    "A ajuda alemã é preciosa porque o hospital de Dujiangyan, parcialmente destruído pelo terremoto, não pode funcionar normalmente", frisou o diretor adjunto do estabelecimento, Fu Tang.

    Médicos russos e japoneses também estão em Sichuan. O primeiro contingente de médicos franceses, uma equipe de 13 pessoas, deve chegar neste domingo à capital da província.

    Em Yingxiu, a prioridade já não é mais a busca por sobreviventes, mas o combate aos riscos de epidemias, potencializados pela falta de abrigos, de água potável e a chegada do verão.

    As autoridades chinesas precisam urgentemente de barracas e medicamentos, principalmente antibióticos.

    Salvamentos dão esperança

    Nos relatórios que chegam da região atingida pelo tremor de terra, as notícias de sobreviventes vem diminuindo, mas algumas histórias ainda mantêm viva a esperança. Um exemplo foi o salvamento na sexta-feira de um casal de idosos, Tian Yueqing, de 92 anos, e Cao Shuyun, de 84, sem filhos, que ficaram isolados em sua cabana na montanha Qingcheng após o terremoto.

    Uma equipe de 200 mil voluntários, que inclui até psicólogos, trabalha nas tarefas de resgate e socorro para atenuar os efeitos da pior tragédia desde a fundação da República Popular da China em 1949, segundo líderes do país.

    Mais de 7 mil réplicas atingiram Sichuan desde o dia 12, causando pânico entre os sobreviventes, já que algumas delas alcançaram 6,1 graus na escala Richter.

    Formação de lagos

    Por outro lado, as regiões devastadas são ameaçadas agora pela formação de 34 lagos por causa dos deslizamentos de terra, oito deles a ponto de transbordar com o início da temporada de chuvas. Já também o risco de uma invasão de ratos, que podem transmitir doenças contagiosas entre os sobreviventes.

    Além disso, a ONU informou hoje que a represa de Bikou, em Sichuan, "se movimentou 30 centímetros" por causa do terremoto e tornou-se "em uma ameaça potencial para os moradores da região".

    A porta-voz do Escritório de Cooperação de Assistência Humanitária das Nações Unidas (Ocha, em inglês), Elisabeth Byrs, também confirmou que "as instalações nucleares e fontes radioativas com fins civis" na mesma província "são seguras e estão sob controle".

    Byrs também disse que o Ministério de Proteção ao Meio Ambiente da China concluiu que "a qualidade do ar está normal, comparada com a registrada antes do terremoto" nas regiões afetadas.

    (*Com informações das agências AFP, EFE e da BBC)

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