Número de mortos por terremoto na China já supera os 12 mil

Antonio Broto Pequim, 13 mai (EFE).- A China já contabiliza mais de 12 mil mortos e 16 mil soterrados pelo terremoto que atingiu o sudoeste do país, segundo números do Governo de Sichuan, a província mais afetada, e da televisão estatal CCTV.

EFE |

No entanto, de acordo com a mesma "CCTV", um total de 18.645 pessoas está sob os escombros na cidade de Mianyang, a cerca de 100 quilômetros do epicentro do tremor de terra.

O terremoto de 7,8 graus, sentido ontem em todas as divisões administrativas da China, exceto as mais remotas do nordeste e noroeste, destruiu 3,46 milhões de casas e mobilizou mais de 50 mil soldados do Exército de Libertação Popular chinês.

Nasta terça, Pequim pediu que a comunidade internacional envie ajuda a Sichuan e a outras regiões afetadas através de material de emergência e equipes de resgate.

"A China já abriu canais internacionais para receber doações e dá as boas-vindas à ajuda internacional", disse hoje o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Qin Gang.

Pequim destinou US$ 52 milhões para os trabalhos de resgate, e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) chinês já angariou mais de US$ 17 milhões em doações, enquanto o Ministério da Saúde pede aos cidadãos para doarem sangue aos feridos.

O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabaoa, está na região atingida pelo terremoto. Sua imagem sob a chuva pedindo com um megafone aos soterrados para "agüentarem" a chegada das equipes de resgate se transformou em ícone dos esforços da China para superar a tragédia.

"A equipe de salvamento vai chegar! São muito profissionais! Calma!", dizia Wen em direção a um edifício reduzido a escombros em Dujiangyan, uma das cidades mais próximas ao epicentro.

O terremoto é o pior sofrido pela China em 32 anos, desde que 240 mil pessoas morreram em um abalo sísmico da mesma magnitude na cidade de Tangshan, a 200 quilômetros a sudeste de Pequim, em 1976.

O país, comovido com a catástrofe, se pergunta, juntamente com os meios de comunicação, se 32 anos depois a China continua mal preparada para terremotos.

O jornal "China Daily" destacou que os sismólogos já tinham advertido há cinco anos sobre a iminência de um terremoto em Sichuan, e que, dias antes do tremor de terra, foram observadas estranhas migrações de animais, como de sapos.

As críticas motivaram as explicações de sismólogos em entrevista coletiva realizada hoje pelo Conselho de Estado (Executivo): "A Terra é imprevisível, foram somente especulações", declarou o especialista Zhang Xiaodong, acrescentando que a relação entre deslocamentos de animais e terremotos "continua sendo um assunto muito vago".

O número de mortos atual pode aumentar nos próximos dias, à medida que as equipes de resgate cheguem a Wenchuan, distrito no noroeste de Sichuan epicentro do abalo sísmico.

Milhares de soldados do Exército Popular de Libertação tentam chegar à região, alguns a pé e outros em pára-quedas, pois o acesso por estrada a Wenchuan continua bloqueado.

A província de Sichuan, situada em uma região de forte atividade sísmica, foi atingida por quase 2 mil réplicas nas últimas 25 horas, segundo fontes sismológicas da China.

O terremoto pôs em segundo plano os preparativos para os Jogos Olímpicos de Pequim, e a tocha olímpica passou sem manifestações pela cidade de Longyan (sudeste).

O Comitê Organizador dos Jogos de Pequim (Bocog, em inglês) afirmou que o terremoto não afetará os preparativos do evento esportivo nem o trajeto da tocha, que passará por Sichuan, mas anunciou que, a partir de agora, será feito um minuto de silêncio durante o revezamento. EFE abc/wr/plc

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