Número de mortos por cólera no Zimbábue ultrapassa 1.100

Por Nelson Banya HARARE (Reuters) - O número de mortes em decorrência da epidemia de cólera no Zimbábue chegou a 1.111, informou a Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quinta-feira, aumentando a pressão por uma solução rápida para a crise no país do sul da África.

Reuters |

O líder do partido do governo da África do Sul, o Congresso Nacional Africano (CNA), Jacob Zuma, descartou a possibilidade de uma intervenção militar e apoiou um esforço diplomático como forma de pôr fim à crise política e evitar o colapso total do Zimbábue, que já foi um país relativamente próspero.

O secretário assistente de Estado dos EUA para assuntos africanos, Jendayi Frazer, também apoiou uma solução política -- e não militar --, mas não se mostrou otimista sobre as negociações entre o presidente Robert Mugabe e a oposição para a formação de um novo governo.

"Certamente pensamos que o acordo sobre compartilhamento de poder está na UTI, está quase morto", disse Frazer em Moçambique.

O comentário lançou dúvidas sobre as declarações do presidente sul-africano, Kgalema Motlanthe, de que esperava que um acordo fosse fechado nesta semana.

Os números mais recentes da cólera fornecidos pelo escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários, em Genebra, incluíram um novo surto em Chegutu Urban, a oeste de Harare, onde foram registrados mais de 378 casos e 121 mortes. O comunicado acrescenta que mais de 20.580 pessoas foram infectados pela cólera desde agosto.

A disseminação da doença, que causa diarréia grave e desidratação e normalmente é fácil de ser tratada, aumentou a pressão internacional sobre Mugabe. Países do Ocidente voltaram a pedir que o líder renuncie.

Personalidades como o primeiro-ministro queniano, Raila Odinga, e o arcebispo sul-africano laureado pelo prêmio Nobel Desmond Tutu pediram que Mugabe deixe o poder ou que tropas de paz sejam enviadas ao Zimbábue.

A inflação no Zimbábue está fora de controle. Os preços dobram a cada 24 horas e o desemprego está acima dos 80 por cento. Milhões de pessoas fugiram para a África do Sul e países vizinhos em busca de trabalho e comida.

Em setembro, Mugabe, de 84 anos, concordou em dividir o poder com o líder de oposição Morgan Tsvangirai, dando esperanças de que um governo de coalizão poderia reverter a decadência econômica do país e reconstruir os serviços básicos. Entretanto, desde então o acordo não foi colocado em prática.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG