GAZA - Aviões e helicópteros de combate israelenses bombardearam a Faixa de Gaza neste sábado, deixando pelo menos 208 mortos no território controlado pelo Hamas, no dia mais sangrento para os palestinos em mais de 20 anos.


Militantes palestinos responderam lançando foguetes que mataram uma civil israelense na cidade de Netivot, sul do país, e feriram muitos outros, de acordo com médicos da região. Outros dois foguetes caíram na cidade de Ashkelon sem provocar vítimas, segundo a polícia de Israel.

Reuters
Policial israelense em local atingido pelo Hamas


Os militares israelenses disseram que os alvos dos ataques eram "infra-estrutura terrorista". Eles afirmaram que caso necessário continuarão e ampliarão a ofensiva.

O Hamas informou que pelo menos 100 membros das forças de segurança do grupo foram mortas, além de pelo menos 15 mulheres e crianças, e prometeu vingar o que chamou de "carnificina israelense".

AP
Criança ferida chega nos braços do pai ao hospital Shifa, na Faixa de Gaza

Uma fumaça negra e espessa tomou o céu sobre a Cidade de Gaza, onde mais de 30 ataques foram realizados, destruindo várias instalações policiais do Hamas, incluindo duas onde aconteciam cerimônias de formatura de novos recrutas.

Reuters
Fumaça sobe após ataque israelense em Gaza


Imagens de TV mostravam corpos no chão, e mortos e feridos sendo carregados do local. Vários edifícios foram atingidos.

Entre os mortos estavam o chefe de polícia nomeado pelo Hamas, Tawfiq Jabber, o chefe de segurança do Hamas e o governador da região central de Gaza, de acordo com funcionários dos serviços médicos. Segundo médicos de Gaza, o número de palestinos mortos chega a pelo menos 208.

Operação militar "em larga escala"

O bombardeio ocorre dois dias depois que o governo israelense adotou a decisão de empreender uma operação militar em grande escala em Gaza, se os grupos armados palestinos continuassem com o lançamento de foguetes contra o território de Israel.

Segundo a imprensa israelense, a execução dessa intervenção militar aconteceria a partir de domingo, para dar tempo às autoridades egípcias de realizar uma última tentativa de mediação entre Israel e Hamas.

A mediação egípcia tinha o objetivo de renovar a trégua que as duas partes assinaram em junho e concluiu sua intervenção no último dia 19.

Reuters/Suhaib Salem
Base policial do Hamas destruída após bombardeio de Israel, em Gaza

Israel

O comando da Defesa Civil da região sul de Israel, próxima à Faixa de Gaza, recomendou que os habitantes preparem seus abrigos com tudo o que for necessário, como rádios, baterias, água, brinquedos para distrair as crianças e flahsligths, informou o correspondente do iG em Israel, Nahum Sirotsky.

Os habitantes precisam saber que terão de 14 a 30 segundos, no máximo, para chegar aos abrigos, porque há possibilidade de mais ataques de qassams e morteiros.

Repercussão internacional

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, disse que a ofensiva aérea israelense era "criminosa" e pediu intervenção da comunidade internacional. A Liga Árabe informou que ministros das Relações Exteriores árabes se encontrarão no Cairo, domingo ou segunda-feira, para tomar uma posição comum sobre os ataques israelenses.

A União Europeia fez um apelo por um cessar-fogo imediato em Gaza: "Estamos muito preocupados com os eventos em Gaza... pedimos que todos mostrem máxima moderação", afirmou o porta-voz para do chefe de Política Externa da União Européia, Javier Solana.

Já a Casa Branca pediu que Israel evite baixas civis em seus ataques aéreos e afirmou que o Hamas precisa interromper os ataques de morteiros a Israel para cessar a violência. No entanto, Washington não pediu para que Israel interrompa os ataques aéreos.

"Os contínuos ataques de morteiros do Hamas em Israel precisam parar para interromper a violência. O Hamas precisa acabar com suas atividades terroristas se quiser ter um papel no futuro do povo palestino", afirmou o porta-voz da Casa Branca Gordon Johndroe.

Fim da trégua

Os ataques aéreos aconteceram após o fim, há uma semana, de uma trégua de seis meses em Gaza. Na quinta-feira, o premiê de Israel, Ehud Olmert, alertou o Hamas para que parasse de disparar foguetes contra alvos israelenses ou então que enfrentasse as consequências.

Uma dezena de foguetes foi disparada de Gaza na sexta-feira. Um matou de forma acidental, no norte de Gaza, duas crianças palestinas, segundo médicos.

Neste sábado, corpos eram empilhados, e feridos se contorciam em dor. Os que mostravam sinais de vida eram levados para carros e ambulâncias.

Alguns dos que faziam o resgate batiam na própria cabeça e gritavam: "Allahu akbar" (Deus é grande). Testemunhas disseram que os ataques foram realizados por aviões e helicópteros de combate.

"Todos os combatentes têm a ordem de responder a carnificina israelense", afirmou um comunicado do Jihad Islâmico. O Hamas e outros grupos armados se pronunciaram no mesmo sentido.

Um assessor de Ehud Barak, ministro da Defesa de Israel, declarou que os militares estão preparados para intensificar as ações, se necessário.

"A operação será realizada e ampliada de acordo com a necessidade", afirmou o assessor à Reuters. "Estamos enfrentando um período que não vai ser fácil ou simples."

Em março, uma ofensiva israelense de cinco dias matou mais de 120 pessoas.

(*Com informações da Efe, AFP e Reuters - Reportagem de Nidal al-Mughrabi, e Dan Williams, em Jerusalém)

Leia mais sobre: Faixa de Gaza

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.