Número de mortos na Itália chega a 207; novos tremores preocupam

Por Deepa Babington e Antonella Cinelli LAQUILA, Itália (Reuters) - O número de mortos do devastador terremoto no centro da Itália subiu nesta terça-feira para 207, e abalos secundários dificultaram a busca por possíveis sobreviventes em meio aos escombros.

Reuters |

Equipes de resgate trabalharam com ajuda de lanternas durante toda a noite e milhares de pessoas que tiveram suas casas atingidas buscaram abrigo em barracas e carros.

"A esperança de achar alguém sob os escombros agora é muito pequena", afirmou uma autoridade da Defesa Civil em um acampamento montado em L'Aquila, a histórica cidade montanhosa atingida pelo tremor.

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, afirmou que havia a confirmação de 207 mortes no pior terremoto a atingir o país nos últimos 30 anos. Cerca de 1.500 pessoas estavam feridas, com aproximadamente 100 delas em estado grave.

Novos tremores espalharam medo na população, com moradores correndo para fora das barracas gritando e chorando após um tremor secundário particularmente forte sacudir a região nesta terça-feira. Prédios balançaram e peças de alvenaria caíram nas ruas, mas não houve mais relatos de feridos.

"Podemos aconselhar as pessoas a não voltarem para as suas casas", afirmou Berlusconi em uma coletiva de imprensa em L'Aquila, acrescentando que os esforços de resgate para encontrar sobreviventes continuarão por pelo menos mais dois dias.

Um terremoto ocorrido nesta terça-feira às 11h26 (horário local, 6h26 no horário de Brasília) registrou magnitude 4,7 e foi sentido em Roma, onde móveis balançaram nos andares superiores dos edifícios.

O número estimado de desabrigados foi revisado para 17.000, bem abaixo dos 50.000 estimados antes. Já as pessoas desaparecidas não chegam a somar 50.

Demonstrações de solidariedade foram vistas na Itália e fora do país. Equipes italianas de futebol disseram que as rendas das partidas deste fim de semana serão enviadas para ajudar as vítimas. Universidades e jornais do país estão arrecadando dinheiro.

EMERGÊNCIA NACIONAL

Autoridades disseram que o terremoto afetará grandemente a economia da região, que é baseada no turismo, na agricultura e em negócios familiares de pequeno porte.

Um acampamento foi montado em um campo esportivo de L'Aquila, mas não havia barracas suficientes e a maioria das pessoas passou a noite em seus carros, sofrendo com as baixíssimas temperaturas da região montanhosa e com ventos fortes.

Berlusconi, que declarou estado de emergência nacional, visitou L'Aquila novamente para examinar os danos e prometeu aos moradores que o governo os ajudará a reconstruir as suas casas.

Equipes de resgate usavam escavadeiras e as próprias mãos em na busca por sobreviventes. Mais de 24 horas depois de que o tremor sacudiu a região de Abruzzo, no centro da Itália, equipes de emergência retiraram dois estudantes na manhã desta terça-feira dos escombros de prédios em L'Áquila.

O terremoto, que registrou entre 5,8 graus e 6,3 graus de intensidade, ocorreu pouco depois das 3h30 da manhã de segunda-feira (horário local), surpreendendo os moradores que dormiam em suas casas, derrubando igrejas antigas e outras edificações em 26 cidades.

"É um desastre sério. Agora nós devemos reconstruir e isso exigirá grandes quantias de dinheiro," disse o primeiro-ministro, cujo governo já enfrenta um alto déficit e uma grande dívida pública.

(Reportagem adicional da redação da Reuters em Roma)

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