Número de mortos na Bolívia sobe para 14, diz governo

O número de vítimas dos confrontos no departamento (Estado) de Pando, na quinta-feira, subiu para 14, segundo informações de representantes do governo boliviano na região - que é governada pela oposição.

BBC Brasil |


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A representante da presidência em Pando, Nancy Teixeira, confirmou ao jornal Red Erbol que outros seis corpos foram encontrados na localidade de El Porvenir, local dos enfrentamentos, aumentando para 14 o número de mortos nos enfrentamentos.

A informação sobre o número de vítimas já havia sido confirmadas anteriormente por senadores da região de Pando ao jornal.

As mortes despertaram temor em diversos setores do país sobre uma possível guerra civil na Bolívia.

"Se nada mudar, estamos caminhando para uma guerra civil de baixa intensidade, mas guerra civil. Civis brigando contra civis e sem a intervenção das forças de segurança", disse à BBC Brasil o analista Gonzalo Chávez, diretor de mestrado para o desenvolvimento da Universidade Católica Boliviana.

"É uma situação limite. As disputas eram com paus e pedras, mas agora tem gente armada."


Grupos de oposição protestam na Bolívia / AP

Esfera internacional

As mortes em Pando teriam sido provocadas por tiros, segundo o prefeito (governador) Leopoldo Fernández. Ainda segundo o analista, nas últimas horas o conflito extrapolou da esfera interna para internacional.

"A declaração do presidente venezuelano (Hugo Chávez, de defender Morales com armas, se preciso) foi muito grave. O problema da Bolívia já tinha sido internacionalizado com a expulsão do embaixador dos Estados Unidos. Agora, então, mais ainda", disse.

Ele salientou que as explosões no gasoduto para o Brasil e o fechamento da válvula de um gasoduto que abastece a Argentina provocaram um problema energético na região.

Em Santa Cruz, nas longas filas para comprar botijão de gás, consumidores diziam: "Mandam gás para o Brasil e a Argentina e a gente não tem gás em casa".

Interlocutores bolivianos afirmaram à BBC Brasil que os chanceleres do Brasil, da Argentina e da Colômbia teriam se oferecido para viajar a La Paz e participar das negociações na Bolívia.

No entanto, o presidente boliviano Evo Morales teria declinado da oferta por considerar a situação "interna".


Apoiador de Morales patrulha ruas em Santa Cruz / AP

Golpe cívico

No fim da noite de quinta-feira, o vice-presidente do país, Álvaro García Linera, acusou uma "quadrilha de terroristas" de arquitetar um "golpe de estado cívico-empresarial".

"Estamos diante de uma quadrilha de terroristas e assaltantes que está colocando em marcha um golpe de estado cívico-empresarial. Eles estão dispostos até a matar os bolivianos", acusou. Linera responsabilizou a Prefeitura de Pando pelas mortes.

O presidente do Comitê Pró-Tarija, Reynaldo Bayard, também falou em "guerra civil". "Se continuar assim, vamos acabar numa guerra civil".

Foi uma jornada de troca de acusações pelas mortes em Pando, um dia depois que mais de 50 pessoas saíram feridas nos enfrentamentos em Tarija ¿ pólo de gás ¿ e na mesma semana em que também foram registrados incidentes em Santa Cruz e Beni.

O prefeito (governador) de Santa Cruz, Ruben Costas, líder da oposição a Morales, acusou o governo central. "O governo Morales é o único responsável pelas mortes", disse.

Em meio ao conflito, um grupo de manifestantes "obrigou", como informou a imprensa local, técnicos a desativar a válvula de um gasoduto que abastece a Argentina.

Posse

Ao mesmo tempo, funcionários do governo estadual de Santa Cruz, cercados por populares, entraram em prédios administrados pelo governo central ¿ como correios e de arrecadação de impostos ¿ e colocavam fitas em torno dos edifícios.

"Autonomia, autonomia", gritavam. "Isso é para proteger o bem público."

Na noite de quinta-feira, na praça principal de Santa Cruz de la Sierra, capital de Santa Cruz, grupos de jovens armados com paus soltavam fogos e eram observados de longe pelos moradores.

Seguidores de Morales que vivem no chamado Plano 3000 ¿ um grande bairro popular ¿ evitaram a entrada de opositores ao presidente.

Em meio à tensão, um grupo de militares disse diante das câmeras de TV que o presidente deve governar para todos e que o "entendimento é o caminho".


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