Número de mortos em terremoto sobe para 51.151 na China

Pequim - O número de mortos no terremoto registrado na segunda-feira passada na província chinesa de Sichuan chegou nesta quinta-feira a 51.151, segundo dados do Escritório de Informação do Conselho de Estado.

EFE |

Os dados divulgados hoje incluem a morte de 9.800 pessoas, em relação aos números fornecidos na quarta-feira.

Preocupação com epidemias

Os médicos chineses receberam instruções para submeter todos os sobreviventes do terremoto de 12 de maio a exames de detecção de gangrena gasosa, uma infecção bacteriana que pode ser mortal, afirmou na quarta-feira a imprensa oficial.

As autoridades de Pequim ordenaram aos médicos locais que detectem imediatamente os pacientes com gangrena gasosa, para tratá-los e isolá-los com o objetivo de evitar que a infecção se propague, informou o jornal "China Daily".

A gangrena gasosa é uma infecção bacteriana que produz gás dentro dos tecidos gangrenados em conseqüência de um ferimento e pode provocar a morte em poucas horas.

Até domingo, os médicos chineses haviam detectado 58 casos dessa infecção e terão que amputar membros de 30 pessoas, afirmou o diário citando autoridades de saúde.

AP
china
Chineses trabalham para evitar epidemia de doenças após o terremoto


O Ministério da Saúde chinês enviará mais de 3.500 especialistas para as regiões afetadas pelo terremoto e distribuirá mais de 5,3 milhões de folhetos com dicas de higiene.

As autoridades chinesas advertiram que a prevenção de focos de epidemias entre os cinco milhões de desabrigados é uma de suas maiores preocupações à medida em que diminui a esperança de encontrar sobreviventes do terremoto que na semana passada devastou o sudoeste do país.

Último dia de luto

Na quarta-feira, a China viveu o terceiro e último dia de luto em homenagem às vítimas do terremoto.

Em respeito às vítimas, o governo tibetano em exílio na Índia pediu que os protestos contra Pequim fossem interrompidos temporariamente.

"Para expressar nossa solidariedade com este grande desastre natural que assolou a China, os tibetanos em todo o mundo devem interromper as manifestações diante das embaixadas chinesas nos respectivos países onde vivem", disse o porta-voz do governo tibetano em exílio, Thubten Samphel.

AP
Mulher é resgatada com vida após nove dias sob os escombros
Mulher é resgatada com vida após nove dias sob os escombros

A busca por possíveis sobreviventes sob os escombros continuava na quarta-feira e uma mulher foi resgatada "milagrosamente" com vida após passar nove dias presa no interior de um túnel de uma central elétrica. Na terça-feira, outras duas pessoas também foram salvas com vida dos escombros.

No entanto, agora as chances de encontrar sobreviventes são ínfimas e as equipes de socorro estrangeiras começam a deixar o país para dar lugar às equipes médicas.

O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, ordenou o envio de 40 mil tendas de campanha, até o final de maio, e de outras 900 mil em junho, somadas às 280 mil que já foram distribuídas em Sichuan, a província do sudoeste da China mais afetada pelo violento terremoto de 12 de maio.

Precisa-se também com urgência de lonas e plásticos para proteger os sobreviventes das chuvas que começam a cair na região, transformando o chão em uma poça de lama e acelerando ainda mais a decomposição dos cadáveres e das carcaças de animais mortos.

Além do apoio psicológico dado às vítimas, um grupo de atletas chineses, liderados pela campeã olímpica de tênis de mesa Deng Yaping, viajou ao local da tragédia, onde falou com as crianças de uma escola improvisada em um dos inúmeros abrigos.

No entanto, muitos moradores de Chengdu, capital de Sichuan, preferiram passar mais uma noite a céu aberto por medo de que ocorram fortes réplicas do terremoto.

Cheiro de cadáveres

Em Beichuan, um jornalista do "China Daily" informou que o cheiro de cadáveres tomava conta da cidade, invadida por nuvens de moscas e mosquitos que geram o medo de que novas doenças se alastrem, apesar de até o momento nenhuma epidemia ter sido registrada.

No entanto, o risco de doenças é real devido à concentração de centenas de milhares de refugiados em abrigos improvisados, sem água corrente e necessidades básicas. Os responsáveis pela saúde pública temem o surgimento de epidemias de diarréia, hepatite A e cólera.

Para enfrentar essa situação, a China já arrecadou e recebeu ajuda estrangeira. Um total de 14 bilhões de yuanes, o equivalente a 1,25 bilhões de euros, segundo o ministério de Proteção Civil.

Como o envio da ajuda aos desabrigados na China é intermediado a nível nacional, provincial e local, a Comissão de Disciplina do Partido Comunista, consciente da possibilidade de que alguns intermediários mal intencionados possam ficar tentados e não repassar parte do dinheiro, ameaçou com graves sanções todos os que responsáveis culpáveis de desvio de verbas.

(*com informações das agências EFE, Reuters e AFP)

Clique na imagem e veja o infográfico sobre o terremoto na China


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