Número de mortos em Mianmar sobe para 133 mil, diplomatas visitam delta

YANGUN- A junta militar de Mianmar levou diplomatas em uma tour no delta Irrauadi no sábado, no momento em que o número de mortos pelo ciclone Nargis subia para mais de 133 mil pessoas, tornando-o um dos mais devastadores da história na Ásia. Nos ultimo 50 anos, apenas dois ciclones asiáticos superaram o Nargis em número de vítimas --em 1970, um ciclone matou 500 mil pessoas em Bangladesh e outro matou 143 mil em 1991, também em Bangladesh.

Redação com agências internacionais |

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  • Todavia, com estimados 2,5 milhões de pessoas lutando para sobreviver no delta e o governo militar se recusando a receber ajuda do exterior em larga escala, especialistas em desastres dizem que o número de mortes do Nargis deverá aumentar drasticamente.

    Autoridades britânicas dizem que o número de mortos agora já pode ter superado os 200 mil.

    Os militares, que comandam o país há 46 anos, afirmam que são capazes de organizar a distribuição de ajuda, aparentemente por temor de que um influxo de estrangeiros no país possa enfraquecer seu poder.

    Com chuvas tropicais pesadas atrapalhando o resgate no sábado, os generais levaram diplomatas baseados em Yangun para o delta para observar as operações de ajuda do Exército, embora se espere que seja uma visita de aparências que não mostre a realidade da situação.

    Próximo da cidade de Cuniangon esta semana, fileiras de homens, mulheres e crianças se espalhavam por quilômetros ao longo da estrada, implorando por comida e roupas dos veículos que passavam ocasionalmente.

    Dificuldade de ajuda

    As súplicas das vítimas expõem a fragilidade do governo militar em sua tentativa de ser o principal prestador de socorro para a população afetada pelo ciclone, que alagou uma área do tamanho da Áustria.

    Grupos de ajuda, incluindo agências da Organização das Nações Unidas (ONU), dizem que apenas uma parte dos alimentos necessários, água e materiais de abrigo conseguem chegar às vítimas. E, a não ser que a situação melhore, milhares de vidas ainda estão em risco.

    A avaliação precisa do quadro em Mianmar é difícil de ser feita, principalmente pela proibição ao acesso de jornalistas e equipes internacionais de socorro.

    AFP
    AFP
    Crianças, todas doentes, descansam em monastério
    Generais da junta insistem que suas operações de socorro estão funcionando sem problemas, justificando assim a recusa por uma ajuda internacional maior.

    Com a intensificação da pressão internacional sobre os generais, autoridades da União Européia foram para Yangon para pedir mais acesso aos funcionários de auxílio internacional para evitar que a taxa de mortes atinja níveis ainda mais altos.

    Entretanto, assim como muitos enviados antes dele, Louis Michel, da UE, voltou de mãos vazias mas continuou a fazer apelos para a junta, para que ela contenha seu orgulho e admita ajuda internacional antes que seja tarde.

    'O tempo é a vida', disse ele a jornalistas no aeroporto de Bangcoc. 'Nenhum governo no mundo pode lidar com um problema assim sozinho. Esta é uma catástrofe enorme.'

    País 'independente'

    A Junta Militar birmanesa invocou na quinta-feira a "independência" do país para reafirmar que está em condições de administrar a extensa operação de ajuda às vítimas do ciclone Nargis, enquanto o acesso às zonas afetadas continua sendo difícil para os voluntários humanitários estrangeiros.

    "Os birmaneses aceitam qualquer forma de ajuda estrangeira com gratidão, qualquer que seja o valor", afirma um editorial do jornal oficial New Light of Myanmar.

    "No entanto, não confiam muito na assistência internacional e reconstruirão a nação com base na independência", acrescenta o jornal, controlado pela junta militar que govera o país de forma absoluta.

    Desde que em 1962 o general Ne Win assumiu o poder em Mianmar, praticamente todas as autoridades militares birmanesas insistem no tema de que "a nação birmanesa deve contar antes de mais nada com ela mesma", lembram os analistas.

    A atitude acentua o isolamento do país.

    Apesar de Mianmar receber aviões carregados de ajuda internacional, o regime continua limitando a presença de voluntários estrangeiros nas áreas mais afetadas pelo ciclone Nargis, que deixou mais de 66.000 mortos e desaparecidos, segundo um balanço oficial.

    A catástrofe provocou dois milhões de desabrigados, mas a junta insiste em querer controlar a distribuição de ajuda internacional, o que retarda as operações de socorro e limita a quantidade de vítimas que recebem um auxílio efetivo.


    Entenda mais:

     Clique na imagem e veja o infográfico sobre a formação de ciclones

    (*Com informações das agências Reuters, AFP, EFE e da BBC)

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