Número de mortos em enchentes nas Filipinas passa de 1,2 mil

Segundo governo, inundações provocadas por tempestade tropical deixam ao menos 1.236 mortos e atingem 700 mil moradores

iG São Paulo |

O número de mortos em decorrência da tempestade tropical que atingiu a região sul das Filipinas passou dos 1,2 mil, informou o governo do país nesta segunda-feira, enquanto rebeldes comunistas cobraram punições aos responsáveis.

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EFE
Filipinos atingidos pelas enchentes esperam para receber suprimentos do lado de fora de uma mesquita em Iligan

O número de mortos passou para ao menos 1.236 ante aos 1,1 mil divulgados no final de semana, anunciou Benito Ramos, diretor da Defesa Civil filipina. Segundo Ramos, até na ilha de Bohol, na região central do arquipélago, há pescadores ajudando a recuperar corpos levados pela correnteza marítima.

"Enquanto houver corpos no mar vamos continuar com as operações de busca e recuperação, mesmo que passe do Ano Novo", disse Ramos a uma rádio. As buscas, segundo ele, ocorrem num raio de 300 km.

As Filipinas foram atingidas por enxurradas e deslizamentos nesse mês em aldeias ribeirinhas e litorâneas da ilha de Mindanao, ao sul, destruindo mais de 10 mil casas e deixando mais de 300 mil desabrigados, dos quais a maioria se instalou em albergues.

"Eu já presenciei muitos desastres mas esse é um dos piores e alguns dos sobreviventes perderam muitos membros de suas famílias", disse Richard Gordon, presidente da Cruz Vermelha filipina. "Alguns perderam 30 parentes."

O número de pessoas feridas pela tempestade dobrou e, agora, soma 4.594, informou o Conselho Nacional para a Gestão de Desastres em comunicado.

De acordo com a ONU, as inundações criaram uma "enorme" necessidade de serviços humanitários na região. A organização fez um apelo para angariar US$ 28 milhões para lidar com os problemas imediatos, com dezenas de centenas de pessoas desabrigadas dentro e nos arredires das cidades portuárias de Iligan e Cagayan de Oro.

Muitas pessoas estão sem comida, abrigo e água potável, segundo as Nações Unidas. A tempestade, conhecida no local como Sendong, afetou aproximadamente 700 mil moradores da região, dos quais 370 mil estão recebendo ajuda em centros de abrigo, informou o conselho de desastres nesta segunda-feira. É estimado que 1.079 pessoas estão desaparecidas nas inundações.

O presidente Benigno Aquino, que esteve na semana passada na região atingida, ordenou uma investigação sobre por que as autoridades permitiram a construção de casas em zonas de risco, e não coibiram o desmatamento ilegal.

Uma rádio local disse que o diretor regional de exploração florestal e mineral da província de Lanao del Sur renunciou, e que outro funcionário foi transferido. Muitos troncos de árvores cortados em Lanao del Sur foram arrastados na inundação e causaram destruição morro abaixo.

Na segunda-feira, o Partido Comunista, comemorando seu 43o aniversário, determinou que seus guerrilheiros arrecadem doações para os desabrigados, e ameaçou punir por conta própria os responsáveis pelo desastre.

O partido, com cerca de 5 mil combatentes, está ativo em 69 das 80 províncias filipinas. Os rebeldes maoístas haviam declarado uma trégua com o governo durante as festas de final de ano, e agora os militares acusam a guerrilha de estar usando o desastre como pretexto para extorquir empresas.

De todos os corpos já resgatados sob a lama ou no mar, apenas cerca de 30 % puderam ser identificados, já que a maioria dos filipinos não possui registros de arcadas dentárias, e o governo não mantêm um banco de dados de DNA da população.

Os corpos identificados foram entregues aos familiares, e os demais são mantidos em estruturas de concreto.

Com AP e Reuters

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