Número de assassinatos no México dobrou em 2008, diz jornal

O número de pessoas assassinadas no México dobrou em 2008 em comparação ao ano anterior, segundo o jornal mexicano El Universal. De acordo com o diário - o único que realiza a contagem das mortes violentas no país - foram mais de 5 mil assassinatos relacionados ao crime organizado neste ano, em comparação com 2.

BBC Brasil |

700 em 2007.

Apesar de as cifras não serem oficiais, Pedro Isnardo De la Cruz, especialista em temas de segurança da Universidad Autónoma de México, UNAM, disse à BBC Mundo que os números são confiáveis.

O professor afirma que o jornal tem fontes fidedignas e uma "espécie de plataforma nacional" que o permite coletar as informações.

Estratégia equivocada
Os dados foram publicados dois anos depois de o presidente Felipe Calderón ter declarado guerra aos cartéis mexicanos de drogas, que se fortaleceram e se tornaram mais violentos em seus ajustes de contas.

De la Cruz considera a estratégia equivocada e afirma que ela depõe contra o governo. "Sua política foi construída e tecida sem apoio ou consenso dos governadores dos Estados, coisa que é chave", diz ele.

O governo, no entanto, afirma que está ganhando a guerra contra o narcotráfico, citando como evidência as dezenas de milhares de prisões de pessoas relacionadas ao crime organizado desde o início da gestão de Calderón.

Além disso, teriam sido realizadas as maiores apreensões de cocaína, de dinheiro vivo e de armamentos em todo o mundo.

Ainda assim, os assassinatos e execuções ocorrem quase semanalmente, muitas delas dirigidas contra pessoas públicas e autoridades.

De la Cruz afirma que há ligações profundas entre os governos locais e corporações policiais com os cartéis.

Para o professor, as conseqüências serão bastante graves para o país se a tendência não for revertida.

"Eles (os cartéis) podem vir a ter maior capacidade para atentar contra autoridades em todos os níveis públicos, assim como contra os outros poderes em escala local e federal, para conseguir intimidá-los, extorqui-los e eliminá-los", adverte ele.

"No nível social, pode ser que eles envolvam cada vez mais famílias e jovens na economia ilegal e a coordenação do 'tráfico em pequena escala' nas cidades do país", acrescentou.

Essas organizações mexicanas alcançaram uma penetração tão grande em nível internacional, que analistas acreditam que o país não vai conseguir resolver o problema sozinho.

Plano Mérida
Os Estados Unidos estão oferecendo quase US$ 200 milhões em ajuda ao México para a luta contra os cartéis que controlam o tráfico entre os dois países.

No primeiro estágio, os fundos não serão entregues em espécie, mas sim em capacitação e tecnologia.

Nas próximas fases, serão entregues equipamentos, armamentos e aeronaves.

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