Decisão de John Yates é anunciada um dia depois de o comissário-chefe da polícia de Londres ter pedido demissão

O ex-subcomissário da Scotland Yard John Yates, em foto de 2009
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O ex-subcomissário da Scotland Yard John Yates, em foto de 2009
O subcomissário-chefe da Polícia Metropolitana de Londres (Scotland Yard), John Yates, renunciou nesta segunda-feira em mais um capítulo do escândalo de escutas ilegais do jornal "News of the World". No domingo, o comissário-chefe da polícia, Paul Stephenson , já havia renunciado pelo caso dos grampos.

Nesta segunda-feira, Yates disse ter agido com completa integridade na crise dos grampos ilegais. Ele expressou “profundo arrenpendimento”, mas disse que sua “consciência está limpa”.

Recentemente, ele também havia se dito arrependido por não ter reaberto uma investigação sobre o tabloide em 2009, por considerar que não havia novas evidências de irregularidades. 

Ele também teria sido responsável por verificar o histórico de Neil Wallis antes de a polícia contratá-lo como consultor. Ex-editor-executivo do tabloide, Wallis foi implicado no caso dos grampos.

A revelação de que a polícia havia contratado Wallis motivou a renúncia de Stephenson. Ao anunciar sua demissão, o ex-chefe da polícia afirmou que não podia discutir as acusações contra Wallis com o primeiro-ministro britânico, David Cameron, por causa da ligação do premiê com Andy Coulson , que foi ex-editor do "News of the World" e porta-voz do governo britânico até janeiro deste ano.

"Não quis comprometer o primeiro-ministro de nenhuma forma ao revelar ou discutir um suspeito em potencial que claramente tinha uma relação próxima a Coulson", afirmou Stephenson.

Após as denúncias, a ministra britânica do Interior, Theresa May, anunciou que uma equipe examinará possível corrupção policial no caso . Ela disse aos legisladores que, em momentos como esses, "é natural questionar quem policia a polícia", anunciando que um órgão policial investigará vínculos entre a polícia e a imprensa no caso das escutas ilegais.

Sessão de emergência

Nesta segunda-feira, Cameron pediu uma sessão de emergência no Parlamento sobre o escândalo das escutas ilegais do jornal "News of the World", na tentativa de controlar uma crise que ameaça o império de mídia de Rupert Murdoch , a credibilidade da polícia de Londres e a do próprio premiê .

Cameron pediu que o Parlamento adie o recesso de verão, marcado para começar na terça-feira, e faça uma sessão no dia seguinte para que ele possa "fazer novas declarações".

O premiê fez o pedido em Pretória, na África do Sul, no segundo dia de uma visita oficial ao continente africano. A viagem, que duraria cinco dias, foi reduzida para apenas dois por causa da crise dos grampos. Quando o escândalo estourou, há duas semanas, Cameron foi criticado por estar em uma viagem ao Afeganistão.

Nesta segunda-feira, o premiê voltou a dizer que seu governo teve "ação decisiva" ao dar a início a um inquérito sobre o escândalo e as relações da imprensa com políticos e policiais. "Ajudamos a garantir uma investigação policial ampla e cheia de recursos para descobrir tudo o que aconteceu, e demonstramos completa transparência em termos de relação com a mídia", afirmou.

Rebekah Brooks

O Parlamento britânico entraria em recesso após interrogar Murdoch, seu filho James e Rebekah Brooks , ex-editora-executiva da News International, braço britânico da News Corporation. A empresa era dona do "News of the World", que deixou de circular por causa das acusações de que teria grampeado os telefones de milhares de pessoas.

Nesta segunda-feira, um porta-voz de Rebekah Brooks garantiu que ela estará presente na Câmara dos Comuns na terça-feira para prestar esclarecimentos sobre o escândalo.

Rebekah, que renunciou ao cargo de editora-executiva da News International na sexta-feira, foi detida e libertada sob fiança no domingo após prestar depoimento sobre o caso. Ela esteve detida por mais de 12 horas, o que provocou dúvidas sobre sua presença no Parlamento. Stephenson e Yates também devem comparecer à sessão.

Desculpas

No sábado, Murdoch pediu desculpas em anúncios publicados em jornais britânicos pelos "graves erros" cometidos pelo "News of the World" e disse sentir muito por não ter agido mais rapidamente para "resolver as coisas".

O "News of the World" teria interceptado ilegalmente milhares de telefones celulares em busca de notícias exclusivas. Investigações indicam que até 4 mil pessoas podem ter sido grampeadas pelo tabloide, entre políticos, membros da realeza, esportistas, celebridades e familiares de militares mortos na guerra do Afeganistão.

Entre as possíveis vítimas das escutas telefônicas também está um dos primos do brasileiro Jean Charles de Menezes , morto por engano pela polícia britânica em julho de 2005.

Com AP, EFE e BBC

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