Por Inal Ersan DUBAI (Reuters) - O militante Ayman Al Zawahri, número dois na hierarquia da Al Qaeda, conclamou os egípcios a não se deixarem seduzir pelas palavras elegantes do presidente norte-americano, Barack Obama, a quem chamou de criminoso.

Obama faz na quinta-feira no Cairo um discurso dirigido ao mundo islâmico, como parte de seus esforços para recuperar a imagem dos EUA --abalada pelas políticas de seu antecessor, George W. Bush-- e para conquistar apoio árabe no combate a insurgentes.

"Oh, mujahideen (combatentes da guerra santa) e povo livre, justo e honrado do Egito: fiquem unidos diante deste criminoso", disse Zawahri em gravação de áudio divulgada em um site vinculado à Al Qaeda.

"As mensagens sangrentas (de Obama) foram recebidas e ainda estão sendo recebidas, e elas não serão ocultadas pelas campanhas de relações públicas, pelas visitas teatrais ou por palavras elegantes."

Zawahri disse que Obama, que é filho de muçulmano e passou parte da infância em um país islâmico, não é bem-vindo no Egito, pois "veio buscar, por meio de uma artimanha, conquistar o que não conseguiu adquirir no campo de batalha... no Iraque, Afeganistão e Somália".

Um vídeo que acompanha a gravação mostra uma foto de Zawahri e imagens de uma visita de Obama a Israel, junto com trechos de um discurso em que o presidente norte-americano se comprometia em ajudar na segurança do Estado judeu.

Citando uma lista de personalidades islâmicas e nacionais egípcias, Zawahri incluiu um dos 19 militantes suicidas responsáveis pelos atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA e também o assassino de Anwar Al Sadat, presidente egípcio que assinou um tratado de paz com Israel.

Robert Gibbs, porta-voz da Casa Branca, disse que o discurso de Obama irá mostrar "seu compromisso pessoal com o envolvimento, baseado nos interesses mútuos e no respeito mútuo".

"Ele irá discutir como os Estados Unidos e as comunidades muçulmanas de todo o mundo podem superar algumas das diferenças que os têm dividido."

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