Novos números de terremoto na China mostram que reconstrução dará trabalho

Pequim, 18 mai (EFE).- Os números divulgados aos poucos pelas autoridades chinesas - mais de 32.

EFE |

477 mortos e 220.109 feridos, passados seis dias do terremoto que sacudiu 100 mil quilômetros quadrados da província de Sichuan (sudoeste) - mostram que as autoridades terão trabalho para reparar as perdas sofridas pela população.

Só em Sichuan, onde fica Wenchuan, o epicentro do tremor de terra, o número de mortos e feridos subiu para 31.978 e 209.905, respectivamente, anunciou hoje o escritório de atendimento a emergências.

As localidades com o maior número de vítimas são Mianyang, com 11.874, e Deyang, com 10.341, acrescentou o escritório.

O presidente da China, Hu Jintao, continuou hoje sua visita às regiões devastadas, durante a qual garantiu aos sobreviventes que o Governo não os abandonará.

Jintao também pediu às autoridades locais que implemetem planos que protejam os órfãos e portadores de deficiênica e que façam a vida diária voltar à normalidade.

Com 4,8 milhões de pessoas desabrigadas e dezenas de milhares famílias com parentes mortos ou feridos, os especialistas começam a analisar qual a melhor forma de o Governo comunista reconstruir moral e materialmente parte do país.

"São tantos desabrigados quanto a população do estado de Minnesota - de 5 milhões de pessoas -, nos Estados Unidos. O Governo deverá analisar se reconstruirá as casas na mesma região ou se transferirá (os moradores) para outras áreas da província ou do país", declarou à rádio um analista chinês.

A mesma fonte elevou para 23 milhões os afetados psicologicamente pelo desastre, enquanto milhões de emigrantes de Sichuan em outras partes do país ficaram sem parentes e sem casa.

Cenas de dor e esperança continuaram a ser o foco hoje da imprensa, como da rede de televisão "CCTV", que exibiu, entre outras, as enternecedoras imagens de uma mãe que assistiu ao resgate de seu filho de 12 anos.

Abraçada a seu filho, a mãe o animava enquanto ele era transferido de helicóptero, mas a televisão concluiu a reportagem anunciando que a criança, "infelizmente, após uma hora de cirurgia, morreu porque os pulmões e o coração falharam".

Com um total de 33 mil resgatados com vida até o momento, segundo números oficiais, hoje foram localizados mais sobreviventes entre os escombros, como Tang Xiong, tirado das ruínas de um hospital em Beichuan, 139 horas depois do terremoto.

Outro, Zhang Xiaoping, foi resgatado dos escombros de um prédio em Dujiangyan, uma das cidades mais afetadas, mas teve as pernas amputadas abaixo do joelho já que elas estavam presas entre blocos de concreto.

Um grupo de turistas britânicos também foi levado hoje de helicóptero da reserva de ursos panda Wolong para Chengdu, capital de Sichuan.

Dois deles, Penelope Edwards e Judy Wong, disseram à "CCTV" que foi um milagre as pedras que caíam das montanhas não terem atingido o grupo enquanto tudo ficava escuro por causa da poeira e da terra.

"No começo, achei que era uma avalanche porque a terra e o pó começaram a cair sobre nós. Comecei a correr me distanciando da montanha", disse Edwards.

A Sociedade Nacional da Cruz Vermelha da China enviou hoje US$ 1 milhão às regiões devastadas pelo terremoto em ajuda de emergência, como material sanitário, leite, alimentos, macarrão, água potável, cobertores, lanternas, capas de chuva, roupas e tendas.

Também chegaram hoje a Chengdu alimentos, geradores, água potável e cobertores doados pelas Forças Armadas dos Estados Unidos, a primeira ajuda humanitária fornecida por uma instituição militar estrangeira - avaliada em US$ 1,6 milhão.

Segundo fontes oficiais, nas últimas 24 horas, a água acumulada em represas e lagos começou a escoar, obrigando milhares de pessoas a deixarem ontem a região por risco de inundações.

Cerca de 700 metros cúbicos de água acumulados em um dos rios que atravessa o distrito de Qingchuan foram liberados artificialmente, após superar os 10 milhões de metros cúbicos de água.

Por outro lado, as autoridades informaram hoje que as instalações nucleares nas regiões afetadas pelo terremoto de segunda-feira estão seguras e sob controle. EFE pc/wr

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