Por Maria Golovnina e Dmitry Solovyov BÍSHKEK (Reuters) - Os autoproclamados novos líderes do Quirguistão agradeceram na quinta-feira a Rússia por ajudarem a depor o presidente Kurmanbek Bakiyev e manifestaram a intenção de fechar uma base aérea dos EUA no país, que dá apoio às forças no Afeganistão.

Essas declarações colocam a deposição de Bakiyev, que na quarta-feira fugiu da capital em meio a uma rebelião popular, firmemente no contexto da rivalidade entre as duas superpotências na Ásia Central.

Assim que os presidentes Barack Obama e Dmitry Medvedev assinaram em Praga um novo acordo de redução de arsenais nucleares, como parte do seu esforço para "relançar" as relações bilaterais após uma fase de afastamento, uma importante autoridade que participava da delegação russa já defendia que os novos governantes quirguizes fechassem a base de Manas.

Esse funcionário, que pediu anonimato, lembrou que Bakiyev não havia cumprido tal promessa, e disse que deveria haver apenas uma base estrangeira no Quirguistão - a russa.

Omurbek Tekebayev, ex-líder oposicionista encarregado de questões constitucionais no novo governo da ex-república soviética do Quirguistão, afirmou que "a Rússia teve seu papel na deposição de Bakiyev".

"Vocês viram o grau de alegria da Rússia ao ver que Bakiyev havia ido", disse ele à Reuters. "Então agora há uma grande probabilidade de que a duração da presença da base aérea dos EUA no Quirguistão seja abreviada."

Na quarta-feira o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, havia negado qualquer participação do seu país na revolução quirguiz, mas ele se tornou na prática o primeiro líder estrangeiro a reconhecer o novo governo, ao conversar por telefone com a presidente interina Roza Otunbayeva.

O comando militar russo anunciou o envio de 150 paraquedistas para a base russa de Kant, no Quirguistão, e assessores de Medvedev disseram que os militares protegeriam cidadãos russos que estejam na embaixada e em outras instalações diplomáticas.

Otunbayeva, que ajudou a levar Bakiyev ao poder, em 2005, e foi sua ministra de Relações Exteriores, disse que o novo governo controla praticamente todo o país, exceto Osh e Jalalabad, reduto político de Bakiyev, no sul. Ela disse também que conta com o apoio das forças armadas e dos guardas de fronteira.

Segundo ela, a situação econômica do Quirguistão é "bastante alarmante", e o país precisará de ajuda internacional. Ela afirmou que Putin lhe perguntou no telefonema como a Rússia poderia ajudar.

"Concordamos que o meu vice e ex-primeiro-ministro da república, Almaz Atambayev, viajará a Moscou e formulará nossas necessidades", disse ela a uma rádio russa.

Otunbayeva disse que Bakiyev está em Jalalabad. "O que fizemos ontem foi a nossa resposta à repressão e à tirania contra o povo pelo regime de Bakiyev", declarou ela a jornalistas.

(Reportagem adicional de Olga Dzyubenko em Bishkek, Khulkar Isamova em Osh, Robin Paxton, Steve Gutterman e Guy Faulconbridge em Moscou; Lucy Hornby em Pequim, Peter Graff em Cabul; Denis Dyomkin em Praga; Phil Stewart e Adam Entous em Washington)

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