Miguel F. Rovira.

Bangcoc, 8 mai (EFE).- Dois novos ataques, que causaram a morte de dois policiais e deixaram 13 feridos, aumentaram hoje a tensão na capital da Tailândia, cujo coração comercial continua ocupado por manifestantes antigovernamentais, conhecidos como os "camisas vermelhas". O primeiro ataque ocorreu pouco depois da meia-noite, quando um desconhecido disparou uma rajada de metralhadora contra um posto policial em que estavam civis e que momentos antes teriam repreendido os "camisas vermelhas", pelas versões de testemunhas. Conforme o porta-voz da Polícia, general Ponsawat Pongsaroen, o agressor abriu fogo a partir de uma motocicleta e em seguida fugiu do local. Horas depois, ocorreram pelo menos mais duas explosões, aparentemente causadas por granadas, em um posto de controle de segurança montado próximo do local onde aconteceu o primeiro ataque. O centro de emergências médicas indicou que os dois incidentes no distrito financeiro de Bangcoc mataram dois policiais e deixaram outros cinco feridos. Mais cinco soldados e três civis também tiveram ferimentos. O estado maior da Frente Unida para a Democracia e contra a Ditadura negou qualquer envolvimento com os ataques, que ocorreram enquanto continua o impasse sobre até quando os "camisas vermelhas" manterão a ocupação do centro comercial da capital. Um mês após assumirem o controle dessa área de três quilômetros quadrados de extensão que abriga hotéis de cinco estrelas e luxuosos shoppings, milhares de "camisas vermelhas" seguem acampados. A situação política se complicou ainda mais e o plano de reconciliação está por um fio devido à entrada em cena dos chamados "camisas amarelas", que acusam o primeiro-ministro de ceder diante dos vermelhos, seus rivais. Os "camisas amarelas", que com a tomada do aeroporto de Bangcoc no final de 2008 conseguiram debilitar o Governo afim ao ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawawa, guia e benfeitor dos vermelhos, reiteram que o Exército tem de declarar pena de morte para restabelecer a ordem na capital. Em 7 de abril, o Governo decretou o estado de exceção em Bangcoc. Entre a população, cresce a ansiedade causada pela crise política e o mal-estar pelos devido à ocupação do centro comercial, que já dura mais de um mês. A maior parte dos "camisas vermelhas" provêm das zonas rurais do norte e noroeste do país, as de maior densidade demográfica e redutos dos testas-de-ferro do multimilionário Shinawatra, quem em 2008 foi condenado a dois anos de prisão por corrupção. O primeiro-ministro, Abhisit Vejjajiva, tenta salvar seu plano de reconciliação. Com seu "Mapa de Caminho", que propõe dissolver o Parlamento durante a segunda quinzena de setembro para realizar eleições em 14 de novembro deste ano, o chefe do Executivo pretende colocar um fim à profunda crise política na qual Tailândia está imersa. "A Mapa de Caminho rumo à reconciliação nacional continua em andamento já que o Governo e os "camisas vermelhas" querem a paz no país", disse o porta-voz interino do Governo, Panitan Wattanayakorn. Na reunião que o primeiro-ministro manteve no sábado com os chefes do centro para a coordenação da segurança, Vajjajiva pediu à Polícia e ao Exército aumentar a vigilância no entorno da região ocupada pelos "camisas vermelhas". "Algumas pessoas não querem que o plano prospere, por isso o Governo pede aos "camisas vermelhas" que decidam em breve, caso contrário pode ocorrer mais vítimas", acrescentou o porta-voz em entrevista coletiva. EFE mfr/dm

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