Pelo menos 27 pessoas morreram e 75 ficaram feridas nesta sexta-feira após a explosão de dois carros-bomba na estrada que une a Província de Babel à cidade santa xiita de Kerbala, ao sul de Bagdá.

Segundo informações da polícia local, as explosões ocorreram quando milhares de fiéis xiitas se dirigiam à cidade, que fica a 110 quilômetros da capital, para o Arbain, celebração que marca o fim dos 40 dias de luto pela morte do imã Hussein, neto do profeta Maomé.

Por causa da situação de gravidade dos feridos, as fontes não descartam um aumento no número de mortos.

Na última semana, mais de 60 pessoas morreram em atentados contra fiéis xiitas a caminho de Kerbala, onde fica o mausoléu do imã Hussein.


Milhares de peregrinos vão anualmente a Kerbala para celebrar o Arbain / AP

Ataques durante a semana

O ataque mais sangrento foi registrado no último dia 1º, quando 41 pessoas perderam a vida e 106 ficaram feridas em um atentado suicida cometido por uma mulher na zona norte de Bagdá.

As explosões desta sexta-feira ocorreram no mesmo lugar onde, há dois dias,  23 pessoas morreram e 117 ficaram feridas em virtude da detonação de uma motocicleta-bomba.

Todos esses atentados aconteceram apesar do reforço na segurança feito por ocasião da peregrinação anual dos xiitas.


Apesar de segurança reforçada com detectores de metais,
xiitas ainda são alvos de ataques durante peregrinação / AP

Alvos xiitas

É provável que ocorra mais violência durante o período religioso do Arbain e antes da eleição geral de março, quando se suspeita que grupos islâmicos sunitas procurem enfraquecer o governo de Nuri al-Maliki, liderado por xiitas.

Desde que a invasão liderada pelos EUA em 2003 derrubou o governo sunita de Saddamn Hussein, milhões de xiitas do Iraque, Irã, Barein e outros países vêm desafiando a ameaça dos atentados suicidas para visitar locais sagrados xiitas no Iraque.

Celebração de Arbain

O Arbain celebra os 40 dias de luto por Hussein, neto do profeta Maomé, que morreu em uma batalha em Kerbala no século 7. Centenas de milhares de peregrinos lotam a cidade para o ritual, batendo em seus peitos e cabeças em sinal de luto ritual.


Celebração do Arbain lembra a morte do neto do profeta Maomé / AFP

Muitos percorrem centenas de quilômetros a pé para chegar a Kerbala. Sob o governo de Saddam, o Arbain era reprimido, assim como outros grandes rituais xiitas.

Dezenas de milhares de soldados e policiais foram enviados para proteger os peregrinos e para cercar o santuário do reverenciado imã Hussein em Kerbala. Mas suspeitos extremistas sunitas, que vêem os xiitas como apóstatas, ainda conseguem furar o cerco.

* Com EFE, AFP e Reuters

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