Novo tremor gera pânico na Itália; mortos chegam a 228

Por Deepa Babington e Antonella Cinelli LAQUILA, Itália (Reuters) - Violentos tremores secundários atingiram o centro da Itália na terça-feira, prejudicando os trabalhos de resgate depois do pior terremoto no país nas últimas três décadas, que já deixaram pelo menos 228 mortos e milhares de desabrigados.

Reuters |

O tremor mais violento desde segunda-feira, ao anoitecer, fez as equipes de resgate se dispersarem e derrubaram prédios que já estavam abalados, inclusive parte da basílica e da estação de trens de L'Aquila, cidade histórica que foi a mais devastada.

O prefeito local disse que uma pessoa morreu no bairro de Roio, o que os bombeiros não confirmaram. O tremor secundário, de magnitude 5,6, foi sentido nos andares mais altos em Roma, cerca de 100 quilômetros a oeste.

"Aconselhamos as pessoas a não voltarem para suas casas", disse o primeiro-ministro Silvio Berlusconi em entrevista coletiva em L'Aquila. Ele acrescentou que as buscas por sobreviventes serão mantidas por pelo menos mais dois dias.

Centenas de pessoas, muitas delas voluntariamente, usam escavadeiras ou as próprias mãos para remover os escombros. As equipes de resgate comemoraram a retirada com vida de uma moça de 20 anos, que passou 42 horas sob os destroços de um prédio de quatro andares. Ao longo do dia, porém, o número de mortos subiu constantemente.

Um bombeiro da cidade portuária de Pescara, que foi a L'Aquila participar do trabalho, desabou em pranto ao encontrar o corpo da sua enteada, que estudava na universidade local.

Pelo menos 228 corpos estão sendo mantidos em um necrotério improvisado numa escola da Polícia Financeira, nos arredores de L'Aquila, segundo a imprensa local. Cerca de 1.500 pessoas ficaram feridas, das quais aproximadamente 100 em estado grave, e ainda restam menos de 50 desaparecidos.

Com ajuda de holofotes, os especialistas usaram um guindaste para desmantelar gradualmente um alojamento universitário. Cães farejadores auxiliam na busca por eventuais sobreviventes.

"Estamos tentando entrar em cada buraco possível, mas não conseguimos chegar até eles (as vítimas)", disse um policial.

PÂNICO AO ANOITECER

Ao cair da segunda noite desde o desastre, milhares de desabrigados buscam abrigo nas "vilas" de barracas azuis montadas pelas autoridades. Berlusconi, que declarou estado de emergência nacional e despachou tropas para a área, prometeu montar mais 20 acampamentos e 16 cozinhas de campanha para acomodar 14 mil pessoas.

As autoridades estimam que 17 mil pessoas tenham perdido suas casas. Como muitas igrejas também foram destruídas, as festividades da Páscoa devem ocorrer em capelas improvisadas nos acampamentos.

Os tremores secundários provocaram pânico, e muita gente saiu correndo das barracas, aos gritos.

"Mesmo aqui, onde a gente sabe que nada pode acontecer, a gente ainda sente medo. O medo do som, da terra se mexendo, isso faz a gente se sentir muito pequeno", disse Ilaria Ciani, 35 anos. "Nas últimas duas noites, devo ter dormido no máximo umas três horas."

Berlusconi, cujo governo já enfrenta um enorme déficit e uma elevada dívida pública, disse que solicitará acesso a fundos emergenciais de centenas de milhões de euros da União Europeia, o que serviria para a reconstrução da região de Abruzzo.

Vários líderes telefonaram para Berlusconi manifestando solidariedade e oferecendo ajuda, entre eles o presidente dos EUA, Barack Obama, e o primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin.

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