Novo secretário-geral da Otan quer que afegãos assumam segurança

Bruxelas, 3 ago (EFE).- O novo secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Anders Fogh Rasmussen, mostrou hoje sua confiança em que os afegãos poderão assumir o controle da segurança do próprio país durante seu mandato, mas deixou claro que as forças aliadas continuarão no Afeganistão enquanto for necessário.

EFE |

Na apresentação de suas prioridades à frente da Aliança, o ex-primeiro-ministro dinamarquês ressaltou o compromisso da Otan com o futuro do Afeganistão, mas ressaltou que a comunidade internacional também deve assumir suas responsabilidades.

"A Otan fará sua parte, mas não podemos fazer sozinhos", disse Rasmussen, que defendeu impulsionar um "enfoque global", intensificando a colaboração das forças militares com as organizações civis presentes no Afeganistão, com o objetivo de desenvolver as instituições democráticas do país.

"O Afeganistão precisa de mais treinadores e mais apoio civil para construir suas instituições", disse, acrescentando que também é preciso oferecer aos afegãos melhores oportunidades de vida.

Rasmussen ressaltou que este é um ano-chave para o Afeganistão, e destacou a contribuição da Otan para que as eleições presidenciais de 20 de agosto aconteçam em clima de liberdade e credibilidade.

O novo secretário-geral da Otan se mostrou convencido de que a missão internacional no país será um sucesso, mas reconheceu que "não vai ser fácil".

Nos últimos meses, e diante das próximas eleições, os talibãs intensificaram seus ataques. Hoje mesmo, houve um atentado em Herat que causou a morte de pelo menos dez pessoas.

Sobre a relação dos aliados com a Rússia, a "segunda prioridade" que definiu, Rasmussen disse confiar em conseguir que seja vantajosa para ambas as partes e lembrou a Moscou a importância de respeitar a integridade territorial dos países vizinhos.

Rasmussen insistiu nas áreas de "interesse comum", como a luta contra o terrorismo, a pirataria e a não-proliferação de armas, e disse que trabalhará para convencer o povo e os líderes russos de que "a Otan não é um inimigo".

"Não sou um sonhador", destacou, acrescentando que "haverá assuntos fundamentais nos quais não vamos concordar".

O novo líder da Otan admitiu que o conflito na Geórgia em meados do ano passado teve um "impacto muito negativo" nas relações bilaterais e que "foi muito difícil voltar ao trabalho", mas disse confiar em que suas diferenças não prejudiquem a relação.

Como terceira prioridade, Rasmussen indicou as relações da Aliança com os países do Mediterrâneo, com os quais espera construir um diálogo baseado no "respeito mútuo, compreensão e confiança".

"Comprometo-me pessoalmente ao diálogo com todos eles, a ouvir seus pontos de vista", e adiantou que planeja se reunir com os embaixadores desses países para discutir a colaboração mútua.

Sobre sua posição durante a "crise das charges" de Maomé quando era primeiro-ministro da Dinamarca, que causou um grave incidente diplomático entre esse país e o mundo muçulmano, enfatizou que é um "elemento do passado", e defendeu aprofundar as relações com os países dessa confissão.

Em relação ao Kosovo, Rasmussen confirmou os planos de retirada progressiva das forças aliadas, destacou o "sucesso" dessa operação e a colocou como exemplo para o Afeganistão.

"A operação no Kosovo é uma história de sucesso, um bom exemplo de como a Otan e a ONU podem trabalhar juntas", disse, desvinculando a saída de soldados dessa região ao aumento de tropas no Afeganistão.

Rasmussen também reafirmou os planos de ampliação da Aliança com novos membros do Leste Europeu, apesar desta questão ser um dos principais motivos de atrito com a Rússia.

Também manifestou sua intenção de rever o conceito estratégico da Aliança, que já tem dez anos, tempo no qual a Otan "duplicou seu tamanho e impulsionou novas missões".

Para isso, anunciou a designação de 12 especialistas, liderados pela ex-secretária de Estado americana Madeleine Albright, para realizar uma consulta "o mais ampla possível" dentro da Otan, Governos, ONGs e outras organizações internacionais.

Rasmussen quer que a Aliança seja mais transparente e participativa, por isso também iniciou uma consulta pública através do site da organização onde "todo mundo poderá expor seus pontos de vista", para determinar "o que a Otan deverá ser no futuro". EFE rja-epn/an

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