Novo rei do Butão pede que povo preserve cultura por mais 500 anos

Agus Morales. Thimbu, 7 nov (EFE).- Os butaneses realizam em grande estilo a coroação de seu novo rei, o jovem Jigme Khesar Namgyel Wangchuck, que hoje pediu ao povo que contribua por mais 500 anos com a preservação da cultura e das tradições do país.

EFE |

"O povo alcançou os objetivos da Felicidade Nacional Bruta", proclamou hoje o quinto rei da dinastia Wangchuck no estádio de Thimbu, centro das comemorações.

A Felicidade Nacional Bruta é um conceito criado por Jigme Singye, pai do novo rei, e pedra angular da idéia de desenvolvimento butanês, que o Governo antepõe a indicadores econômicos como o Produto Interno Bruto (PIB).

"O sol da felicidade iluminou o povo", disse o monarca em dzongkha, a língua oficial do país.

"A cultura e as tradições do Butão se mantiveram no passado graças ao povo e podem se manter durante os próximos 500 anos", afirmou o rei, que não se cansou de repetir a palavra "gaki" (felicidade).

Segundo a tradução do serviço de imprensa governamental, o monarca incentivou o povo a velar pela "segurança, pelo meio ambiente e pela felicidade na transformação" em que vive o Butão.

O rei, que recebeu ontem a coroa das mãos de seu pai, é o chefe de Estado de um país que realizou suas primeiras eleições democráticas em março deste ano e está em pleno processo de transição e abertura para o mundo.

Em entrevista à Agência Efe, o primeiro-ministro butanês, Jigme Thinley, analisou a vitória arrasadora de sua legenda, a Druk Phuensum Tshogpa (Partido Virtuoso do Butão) nas eleições, que a concederam 45 das 47 cadeiras da Câmara Baixa.

"Nós propúnhamos continuidade e por isso ganhamos, pois as pessoas querem estabilidade", ressaltou.

Já o secretário adjunto do primeiro-ministro, Saamdu Chetri, disse que a única força opositora, o Partido Democrático Popular (PDP) - liderado por um tio do atual rei -, acreditava que Butão "já era uma democracia" antes do pleito, "e não é assim".

Chetri explicou à Efe que o monarca não pode mexer nas leis que saírem do Parlamento, mas destacou a importância de sua figura na democracia butanesa.

A transição política soma-se à lenta mudança social de um povo que até 1999 era proibido de ver televisão e que só teve acesso à internet há alguns anos.

Grande parte dos 600 mil habitantes do montanhoso e pequeno país, rodeado por China e Índia - os dois países mais populosos do mundo -, já viraram espectadores assíduos do cinema indiano e de transmissões de jogos de futebol europeus.

Butão, um dos poucos países asiáticos que nunca foram colonizados, controla a entrada de turistas, que são obrigados a pagar US$ 200 por dia de estadia e a andar com um guia que os acompanha durante a viagem.

Os estrangeiros não escutam críticas à Casa Real e se encontram com muitos aldeões que afirmam conhecer algum parente do monarca.

A adoração ao rei justifica até o fato de o monarca anterior fumar, apesar de a venda de tabaco ser proibida no Butão e este só poder ser encontrado no mercado negro, quase sempre procedente da Índia.

O povo também vê com bons olhos que o ex-monarca tenha quatro esposas - todas elas irmãs -, que deixaram de ser as rainhas de Butão com a coroação de Khesar.

O trono agora foi assumido pelo quinto rei da dinastia, descrito pelo primeiro-ministro como "extremamente gentil", e que já causou agitação durante sua última visita a Tailândia, segundo os butaneses. EFE amp/fh/jp

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