Novo referendo na Irlanda causaria mais danos, diz ministro

Por Jonathan Saul DUBLIN (Reuters) - Um segundo referendo irlandês sobre a reforma do tratado da União Européia iria causar mais danos à Irlanda, depois de o acordo ter sido amplamente rejeitado pelos eleitores esta semana, avaliou no sábado o ministro Conor Lenihan.

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O 'Não' venceu por 53,4 a 46,6 por cento.

A vitória do 'Não' na votação de sexta-feira --no único dos 27 países da UE a fazer um referendo sobre a reforma-- foi uma humilhação para os líderes políticos da Irlanda e mergulhou o bloco em uma crise de confiança, três anos depois de franceses e holandeses terem rejeitado a Constituição da UE.

Lenihan, ministro sem pasta no governo da Irlanda, disse que o voto contra o tratado, elaborado para revisar as enferrujadas instituições da UE, foi 'profundamente prejudicial'.

'Para ser franco, não posso ver uma situação em que possamos apresentar de novo (à votação) essa questão porque o risco para a Europa e certamente para a Irlanda de levar isso outra vez seria causar ainda mais danos ao país e aos nossos interesses', afirmou Lenihan à TV pública RTE.

Quando lhe perguntaram se a idéia de uma segunda votação estava descartada, o primeiro-ministro irlandês, Brian Cowen, afirmou na noite de sexta-feira que sua tarefa era a de conversar com colegas europeus que haviam sido igualmente afetados. 'Não estou descartando nada', comentou.

Nas pesquisas, a Irlanda aparece como um dos países do bloco mais pró-europeus e seu atual boom econômico foi parcialmente fomentado por fundos da UE.

Os eleitores irlandeses quase afundaram os planos de expansão da UE em direção ao Leste Europeu em 2001 ao rejeitar o Tratado de Nice, mas o governo realizou então um segundo referendo em que esse tratado foi aprovado.

'Não estou dizendo que estou descartando a possibilidade de que possa ser votado novamente', disse Lenihan. 'Mas eu realmente penso que absorveria um grande esforço do governo, e certamente de parte da Europa, levar essa questão novamente a votação.'

A votação no referendo de sexta-feira mostrou que o tratado enfrentou forte oposição nas áreas da classe trabalhadora, que vêem com suspeitas a União Européia e a elite política da Irlanda.

Outros líderes europeus se reunirão na próxima semana em Bruxelas para o que parece ser uma reunião de cúpula de crise depois do voto dos irlandeses pelo 'Não'.

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