Novo primeiro-ministro toma posse no Peru

Lima, 11 jul (EFE).- O presidente do Peru, Alan García, presidiu hoje o juramento do novo primeiro-ministro do país, o até hoje presidente do Congresso Javier Velásquez Quesquén, e com o qual o governista Partido Aprista Peruano (PAP) retorna ao Governo.

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Velásquez Quesquén continuará sendo presidente do Congresso até que se designe seu sucessor, embora seu mandato expire no final deste mês.

Após a etapa do gabinete anterior presidido por Yehude Simon, um político de trajetória próxima à esquerda e cuja nomeação por García buscava uma gestão mais dialogante e social do Governo, o recém nomeado premiê representa um retorno a um Governo mais partidário.

Junto a Velásquez Quesquén, no novo gabinete há seis ministros membros do PAP, liderado pelo presidente Alan García, o que os deixa claramente em maioria no Executivo de 16 ministros.

O novo Governo representa também uma tentativa para colocar um fim à crise que começou no dia 5 de junho quando uma operação da Polícia para reabrir uma estrada em Bagua - na selva peruana, que tinha sido tomada por indígenas em greve - derivou na morte de 24 policiais e 10 civis.

Após aqueles fatos o próprio Simon não demorou em assegurar que apresentaria a renúncia, embora tenha acrescentado que antes se ocuparia de devolver a tranquilidade a um país no qual as interrupções e os protestos tinham se espalhado por todo o território nos últimos meses.

Durante seu último mês de gestão, o até hoje primeiro-ministro se dedicou a viajar por todo o Peru e a criar em cada foco de conflito mesas de diálogo entre o Governo e os grupos que protestavam, e que iam desde nativos amazônicos a transportadoras, agricultores e trabalhadores de minas.

Fruto deste trabalho foi a derrogação no Congresso de duas das leis contra as quais os indígenas clamavam, e após o que estes decidiram depor suas medidas de protesto.

Como prometeu, Simon apresentou oficialmente sua carta de renúncia na quarta-feira passada, na qual reconhece sua responsabilidade política nos fatos de Bagua.

A escolha de Velásquez Quesquén representa uma mudança na estratégia de García: de uma pessoa de reconhecida vocação de diálogo que equilibrava a imagem do presidente perante a opinião pública, passa-se agora a um homem de partido que devolva ao Executivo a autoridade perdida nos últimos meses.

Apesar de sua distância política, Simon e Velásquez Quesquén têm um ponto em comum: o interesse pela descentralização do país e um marcado toque regionalista, como demonstra o trabalho do presidente do Parlamento que potencializou sessões do Legislativo no interior do país. EFE fcg/ma

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