Novo presidente enfrenta desafio de garantir governabilidade no Paquistão

Islamabad, 7 set (EFE).- O recém-eleito presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, enfrenta o desafio de garantir a governabilidade do país e de lutar contra o fundamentalismo islâmico, com o Governo e o Parlamento dominados por sua formação, o Partido Popular do Paquistão (PPP).

EFE |

O viúvo da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto foi aplaudido hoje nas ruas do Paquistão, inclusive na cidade de Karachi, capital da região de Sindh, berço da dinastia Bhutto.

Segundo o canal "Geo TV", militantes do governante PPP lançaram fogos de artifício e distribuíram balas entre os aldeões, assim como nas prisões do Paquistão, a pedido de Zardari, que passou onze anos preso sob acusações do Governo do ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif.

Esse fato não impediu que, em agosto, Zardari e Sharif se aliassem para impulsionar um processo de destituição contra Pervez Musharraf, que se viu forçado a renunciar à Presidência.

A Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz (PML-N), de Sharif, que abandonou a coalizão governamental ao comprovar que Zardari não honraria seu compromisso de restituir imediatamente os juízes destituídos por Musharraf em novembro de 2007, pediu hoje que o líder do PPP renuncie aos poderes presidenciais que herdou.

"Precisa cumprir as promessas que quebrou no passado, agora que saiu dos muros da insegurança política e física, que podiam ter sido um obstáculo para ele no passado", pede a Zardari um editorial do jornal "The News".

No entanto, o viúvo de Bhutto mostrou ambigüidade no sábado e se limitou a dizer que se esforçará para "corrigir o desequilíbrio de poderes entre a Presidência e o Parlamento".

O chefe de Estado no Paquistão tem a prerrogativa de dissolver as assembléias e afastar o Governo, se considerar necessário, em virtude de uma emenda constitucional introduzida quando Musharraf ocupava o poder.

Após ser eleito ontem como presidente em uma votação parlamentar com 481 votos a favor, de um total de 702, Zardari disse que, "com a Presidência recuperada da ditadura e devolvida a um Governo democrático, o sonho de Benazir Bhutto se tornou realidade".

Com Musharraf fora das decisões e um novo presidente nomeado por assembléias democraticamente constituídas, começa um novo capítulo no Paquistão, no qual todos os olhares estarão sobre Zardari e o Governo do PPP.

Um dos centros das atenções será a instável relação entre o PPP e a segunda força do país, a PML-N, com a reabilitação dos magistrados como cenário de fundo.

Zardari já expressou que o ex-chefe do Tribunal Supremo Iftikhar Chaudhry se "politizou", e por isso a volta do magistrado - responsável por uma ação judicial contra a ordem de Musharraf que permitiu que Zardari e sua mulher voltassem do exílio - parece pouco provável.

Pouco mais de oito meses após a morte de Bhutto, o PPP já domina dois vértices do triângulo no qual se formam as relações do poder no Paquistão: primeiro-ministro, presidente e chefe do Exército.

Esse último cargo é ocupado pelo general Ashfaq Pervez Kiyani, nomeado por Musharraf como seu sucessor à frente das Forças Armadas em novembro de 2007.

Kiyani foi muito cauteloso em suas declarações públicas desde então, algo ainda mais difícil de interpretar se for levado em conta que, além de fiel a Musharraf, o chefe do Exército foi secretário militar adjunto quando Bhutto liderava o Governo.

Em entrevista à Agência Efe, o ex-chefe do Supremo e candidato da PML-N na votação presidencial, Saeeduzzaman Siddiqui, lembrou que o Exército se declara agora comprometido a "não interferir" na política, embora sempre possa intervir, pois "historicamente sempre foi assim".

Mas a coordenação com o Exército, uma das grandes preocupações do PPP sempre que esteve no poder, será agora fundamental para abordar, sob o atento olhar de Washington, a luta contra os fundamentalistas islâmicos, que se concentram nas áreas tribais fronteiriças com o Afeganistão.

Após iniciar uma infrutífera política de diálogo com o grupo que reúne os talibãs paquistaneses, o Governo voltou a lançar várias operações contra os insurgentes.

Como líder do governante PPP e presidente do país, Zardari tem agora as mãos livres para decidir a estratégia antiterrorista e traçar a complexa relação de Islamabad com Washington. EFE igb/fh/an

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