Tegucigalpa, 30 jun (EFE).- O novo presidente de Honduras, Roberto Micheletti, deixou claro hoje que se o chefe de Estado deposto Manuel Zelaya voltar ao país será preso.

"Se o ex-presidente da República chegar aqui terá que lidar com as várias ordens de captura emitidas pela Suprema Corte de Justiça, os tribunais e a Promotoria", respondeu Micheletti a recentes declarações de Zelaya.

O procurador-geral de Honduras, Luis Rubí, foi além e disse que os crimes pelos quais Zelaya é acusado podem lhe render até 20 anos de prisão.

Ontem, o presidente eleito pelos hondurenhos em 2005 para um mandato de quatro anos anunciou que na quinta-feira retornará à capital Tegucigalpa acompanhado do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insula, e dos presidentes da Argentina, Cristina Fernández, e do Equador, Rafael Correa.

Segundo Micheletti, Zelaya tentou negociar com as Forças Armadas seu retorno ao poder, mas os militares se recusaram a conversar com ele.

"Soube que ele (Zelaya) se comunicou com um alto oficial do Exército e disse para que negociassem", mas o militar respondeu "que não tinha nada a negociar, que as coisas estavam determinadas, que havia um novo Governo no país", declarou o novo presidente a uma emissora local.

Consciente do dano que o isolamento internacional está lhe causando, Michelleti também anunciou que enviará emissários aos Estados Unidos para tentar explicar algo que alega desde o domingo: que o ocorrido com Zelaya não foi um golpe de Estado, mas uma "substituição constitucional".

O novo chefe de Estado não disse com que funcionários ou instituições seus representantes conversarão. Mas manifestou sua "fé em Deus" em que "recuperará a confiança" dos países e instituições que condenaram a derrubada de Zelaya.

Com esse mesmo espírito, milhares de hondurenhos ocuparam hoje uma praça no centro da capital para apoiar Michelleti e repudiar a figura do presidente deposto. Os manifestantes carregavam cartazes com frases como "Fora ditaduras chavistas" e "Vamos defender nossa democracia".

Convocados pela União Cívica Democrática (UCD), eles lembraram que o Governo de Micheletti não foi reconhecido por nenhum país porque quem está fora de Honduras "não entende" as razões que obrigaram os militares a tirá-lo do poder.

Já nas proximidades da residência presidencial, eram os seguidores de Zelaya, também com cartazes, que protestavam, mesmo depois de 30 pessoas terem ficado feridas em confrontos com policiais nas manifestações de ontem.

A adesão à greve geral convocada pelos setores sociais é incerta.

Apenas o sistema educacional está praticamente paralisado. Muitas manifestações também acontecem em cidades do interior, mas a imprensa local quase não as repercute.

A vigilância em vários pontos do país, sobretudo no Aeroporto Internacional Toncontín, em Tegucigalpa, foi reforçada pelos militares. EFE jlp/sc

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