Novo presidente de Honduras chega ao poder em segunda tentativa

Tegucigalpa, 27 jan (EFE).- O novo presidente de Honduras, Porfirio Lobo, de 62 anos, é um empresário do ramo agrícola, praticante de caratê e político de ampla trajetória que chegou ao poder em sua segunda tentativa.

EFE |

Hoje, Lobo recebeu um país imerso em uma grave crise política vivida desde junho de 2009, quando um golpe de Estado derrubou Manuel Zelaya.

Lobo assumiu a Presidência de Honduras para o período 2010-2014 após ganhar as eleições de 29 de novembro como candidato do Partido Nacional, que também tem maioria no Parlamento.

O novo presidente hondurenho é agricultor e pecuarista, católico e não bebe ou fuma. É tido como um homem reservado e, para completar, é faixa preta de caratê.

Lobo foi presidente do Congresso Nacional no Governo de Ricardo Maduro (2002-2006), e em 2005 fez sua primeira tentativa de chegar à Presidência, mas perdeu para Zelaya, do Partido Liberal, a outra grande legenda hondurenha.

Em sua extensa trajetória no Partido Nacional, Lobo chegou a dirigir seu Comitê Central em duas ocasiões, entre 1999 e 2001 e de 2005 a 2009.

O novo presidente, que promoveu a "Mudança Já" em sua campanha eleitoral, prometeu combater a criminalidade e melhorar a segurança pública, mas suavizou sua postura frente a 2005, quando propôs a pena de morte, algo que, para alguns analistas, contribuiu para sua derrota.

Lobo também disse que fundamentará seu Governo no "humanismo cristão" agora professado por seu partido, caracterizado historicamente por seu conservadorismo e pelo confronto, muitas vezes violento, com o Partido Liberal.

A recuperação das finanças públicas, conseguir um crescimento econômico que gere empregos e reduzir a pobreza em 10% são alguns dos planos de Lobo.

Outras propostas são oferecer educação e saúde, consolidar o investimento social e garantir a segurança por meio do combate ao crime e do fortalecimento de instituições como a Polícia Nacional e o Ministério Público.

O novo presidente hondurenho estará acompanhado no Executivo por três vice-presidentes: María Antonieta de Bográn, Samuel Reyes e Víctor Barnica.

Lobo nasceu em 22 de dezembro de 1947 na cidade de Trujillo, no departamento de Colón, no litoral caribenho, mas seu reduto é Olancho (leste), onde produz grãos e é dono de uma grande fazenda.

Entre 1966 e 1970, estudou administração de empresas na Universidade de Miami, embora seus adversários do Partido Liberal também lhe atribuam formação na antiga União Soviética, algo que Lobo não nega, mas também não inclui em seu currículo.

Entre 1967 e 1970, foi presidente da Juventude Nacionalista do departamento de Olancho e depois ocupou outros cargos em nível local, departamental e nacional.

Foi, além disso, um dos fundadores em Olancho do Comitê para a Defesa dos Direitos Humanos (Codeh, privado), junto ao atual Comissário Nacional dos Direitos Humanos (estatal), Ramón Custódio.

Desde 1989, foi eleito deputado em três ocasiões consecutivas pelo Partido Nacional.

Além disso, foi membro do comitê de campanha da candidatura de Ricardo Maduro em 2001.

Lobo também foi gerente da estatal Corporação Hondurenha de Desenvolvimento Florestal (Cohdefor) entre fevereiro de 1990 e junho de 1992, no Governo de Rafael Callejas (1990-1994).

O líder do Partido Nacional, conhecido em Honduras como "Pepe" Lobo, é considerado por alguns setores como um homem conciliador e de diálogo.

É casado com Rosa Elena Bonilla, com quem tem três filhos, mas tem outros oito de relações anteriores.

Porfirio Lobo cumpriu com o que já parece uma tradição nas eleições hondurenhas: quem perde na primeira tentativa, ganha na segunda, como aconteceu com seu correligionário Rafael Callejas, que ganhou em 1989, e o liberal Carlos Flores, vencedor em 1997.

Lobo inicia sua gestão em meio às adversidades da crise resultante da queda de Zelaya, que foi substituído, por designação do Parlamento, pelo também liberal Roberto Micheletti, que se negou a renunciar antes da mudança de Governo.

Zelaya viajou hoje, após a posse de Lobo, para a República Dominicana com um salvo-conduto. EFE lam/bba

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