Novo premiê tailandês é eleito pelo Parlamento apesar de rejeição da oposição

Bangcoc, 17 set (EFE).- O Parlamento da Tailândia elegeu hoje Somchai Wongsawat como novo primeiro-ministro do país com apoio dos partidos da coalizão do Governo e apesar da rejeição da oposição por sua relação com o ex-premiê Thaksin Shinawatra.

EFE |

A eleição de Wongsawat, cunhado de Shinawatra e vice-presidente do Partido do Poder do Povo (PPP), é resultado do acordo entre os seis partidos da coalizão do Governo após a luta interna travada entre eles pelo controle dos ministérios do Gabinete.

Após a votação na Casa dos Representantes (câmara baixa), o novo primeiro-ministro afirmou que "chegou o momento de a Tailândia se unir, se reconciliar e solucionar o conflito". Wongsawat reiterou que é necessário "trabalhar juntos para que o país volte a ser pacífico novamente".

O novo chefe do Executivo anunciou que sua primeira tarefa será abordar os efeitos da falência do banco de investimentos americano Lehman Brothers na economia tailandesa, já prejudicada pelas manifestações antigovernamentais que tomaram a sede do Governo.

Na sessão parlamentar, 298 deputados votaram a favor de Wongsawat, enquanto 163 do oposicionista Partido Democrata votaram contra e outros cinco membros do Legislativo se abstiveram, entre eles o presidente da Casa dos Representantes, Chai Chibchob.

O PPP e seus outros cinco parceiros da coalizão têm ao todo 306 das 480 cadeiras do Parlamento.

Após a votação, o novo primeiro-ministro tailandês teve uma conversa com o líder da oposição, Abhisit Vejjajiva, segundo as imagens de TV.

Wongsawat, de 61 anos, é casado com a irmã mais nova de Shinawatra, deposto há dois anos em um golpe de Estado perpetrado pelos militares.

Wongsawat exercia o cargo de chefe de Governo interinamente desde que o Tribunal Constitucional da Tailândia destituiu Samak Sundaravej do cargo de primeiro-ministro por ter apresentado um programa de culinária na TV quando já era chefe do Executivo.

Apesar de seu parentesco com o polêmico Shinawatra, o recém eleito primeiro-ministro é um dos políticos mais bem vistos do PPP, inclusive por setores da oposição por sua reputação como juiz e personalidade de diálogo.

No entanto, os líderes da Aliança do Povo para a Democracia, cujos seguidores ocupam o Palácio do Governo tailandês desde 26 de agosto, afirmaram que os protestos continuarão enquanto houver no Gabinete membros do PPP, a quem acusam de corrupção de fraude eleitoral.

O objetivo da Aliança do Povo para a Democracia, apoiada pela elite conservadora e elementos de Exército, é apagar a herança de Shinawatra e renovar o sistema político tailandês sob o amparo da Monarquia.

Com suas dependências ocupadas, o novo primeiro-ministro terá que usar o antigo aeroporto de Don Muang para realizar as reuniões com os membros de seu Governo.

O maior ponto negativo para Wongsawat é seu parentesco com Shinawatra, fugitivo da Justiça tailandesa e exilado no Reino Unido.

O Tribunal Constitucional da Tailândia emitiu ontem uma ordem de busca e captura contra Shinawatra em relação a um caso de suposta corrupção.

Os líderes da Aliança do Povo para a Democracia exigiram hoje que Wongsawat consiga que Shinawatra retorne ao país para ser julgado.

O general reformado Chamlong Srimuang declarou aos jornalistas em Bangcoc que se Wongsawat quiser ganhar a simpatia da Aliança do Povo para a Democracia poderia começar por conseguir que Shinawatra volte à Tailândia.

A família de Wongsawat controla um conglomerado empresarial com interesses nos setores de telecomunicações, informática e construção, e que enriqueceu notavelmente durante o mandato de Shinawatra (2001-2006).

A irmã de Shinawatra e mulher do primeiro-ministro, Yaowapha Wongsawat, dirige o império empresarial liderado pela companhia matriz M Link, a distribuidora na Tailândia das marcas Motorola, Alcatel, Nokia, LG e Mitsubishi.

Quando o PPP designou Wongsawat como seu candidato, a M Link e a Win Coast, com participação da família do político, subiram 21,48% e 40% respectivamente na Bolsa de Valores de Bangcoc. EFE tai/wr/fal

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