Novo premiê japonês é personagem inusitado na política do país

TÓQUIO - O carismático, loquaz e ambicioso Taro Aso, que se transformará na próxima quarta no primeiro-ministro do Japão, é um personagem inusitado no homogêneo e cinzento panorama político japonês.

EFE |

O político é um defensor das histórias em quadrinhos japonesas e, por isto, tem admiradores entre os jovens. Além disso, participou dos Jogos Olímpicos de 1976 na prova de tiro esportivo, viveu em países como Brasil e Serra Leoa e, o que o torna ainda mais diferente, é católico.

AP
Taro Aso, novo premiê do Japão
Taro Aso, novo premiê do Japão
Aso adquiriu um perfil de grande nacionalista, embora sua capacidade de diálogo com a China tenha sido provada quando era ministro de Assuntos Exteriores, cargo que ocupou em várias oportunidades.

Com 68 anos completados há dois dias, Aso, eleito hoje pela maioria como presidente do governamental Partido Liberal-Democrata (PLD), comemora o aniversário com a vitória na quarta ocasião em que se transformou primeiro-ministro.

Após fracassar em uma disputa singular contra Junichiro Koizumi, Shinzo Abe e Yasuo Fukuda, os últimos três líderes do Japão, Aso chega ao governo do país do Sol Nascente em um momento muito delicado, tanto no plano econômico quanto no político.

Tendo em vista a iminente convocação de eleições antecipadas para a Câmara Baixa, talvez a única missão durante o mandato de Aso, após finalmente conseguir chegar à chefia do Governo, seja organizar eleições.

Aso se beneficiará do apoio popular por ser um primeiro-ministro eleito recentemente, mas terá de moderar sua incontinência verbal que o levou a pronunciar polêmicas frases. Entre elas está sua declaração de que o Japão é o único país do mundo formado por uma só nação, uma civilização, uma linguagem, uma cultura e uma raça.

Em outra oportunidade causou muita desconfiança ao afirmar que seu objetivo é fazer do Japão um país no qual os "judeus ricos" queiram viver.

Aso provém de uma influente família ligada há mais de um século à política e à Casa Imperial.

Seu pai, um conhecido empresário, foi um colaborador próximo do primeiro-ministro Kakuei Tanaka (PLD, 1971-1974), sua mãe é filha do ex-chefe de Governo Shigeru Yoshida (PLD, 1946-1947 e 1948-1954) e sua mulher é filha do ex-primeiro-ministro Zenko Suzuki (PLD, 1980-1982).

Além disso, é descendente de Toshimichi Okubo, um dos fundadores do Japão moderno e sua irmã é casada com o príncipe Tomohito de Mikasa, primo do imperador Akihito.

Após se formar pela Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas da Universidade de Gakushuin, em março de 1963, Aso começou a trabalhar na empresa de cimento da família.

Em maio de 1973 se tornou presidente e executivo-chefe da companhia, posto no qual se manteve até 1979, quando decidiu ingressar na política e se apresentar pela primeira vez às eleições ao Parlamento pela província de Fukuoka.

Desde então, foi reeleito como parlamentar nos últimos nove pleitos à Câmara Baixa japonesa e conseguiu crescer tanto dentro de sua formação política quanto na esfera pública.

Sua ascensão à esfera mais elevada da política japonesa aconteceu em 2003, quando assumiu o comando do Ministério de Assuntos Internos e Telecomunicações, onde se manteve por dois anos para assumir depois o Ministério de Relações Exteriores, primeiro no Governo de Koizumi e, a partir de setembro de 2006, no de Abe.

Sua derrota no ano passado para Fukuda pela liderança do Governo o relegou à sombra e, posteriormente, foi nomeado secretário-geral do PLD em agosto de 2007, posto no qual permaneceu até agora.

Taro Aso é casado e tem dois filhos.

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