Novo Parlamento espanhol inicia trabalhos com nova configuração

Madri, 1 abr (EFE) - Foi constituída hoje a nona legislatura do Parlamento espanhol, resultado das eleições de 9 de março e na qual o socialista José Luis Rodríguez Zapatero continuará sendo presidente do Governo, enquanto o líder conservador Mariano Rajoy permanecerá como chefe da oposição. O socialista José Bono, ex-ministro da Defesa, foi eleito presidente do Congresso dos Deputados, a Câmara Baixa do Parlamento, em uma segunda votação, após não conseguir na primeira a maioria absoluta necessária por não ter obtido o apoio dos nacionalistas bascos e catalães. Bono precisou de uma segunda rodada de votações secretas por não obter os 176 votos que configuram a maioria absoluta do Congresso, formado por 350 assentos, o que lhe transforma no primeiro presidente desta Câmara a não ter o apoio majoritário. Na primeira votação, o ex-ministro recebeu 168 votos de apoio, ou seja, oito a menos que o necessário para alcançar a maioria absoluta exigida e que todos os seus antecessores tinham conseguido. A candidata alternativa proposta pelo Partido Popular (PP) para ocupar a Presidência da Câmara Baixa, Ana Pastor, obteve 152 votos. Bono foi eleito em segunda votação, com 170 votos. A necessidade de recorrer a uma segunda rodada se deveu às reservas que o ex-ministro da Defesa provoca nos partidos nacionalistas catalães e bascos.

EFE |

Seu companheiro de partido Javier Rojo foi eleito por maioria absoluta como presidente do Senado.

Antes de dar por constituído o Congresso, Bono pronunciou um discurso no qual disse que assume seu cargo com a promessa de atender a todos por igual, principalmente às minorias, e de ser justo, convencido de que a principal regra desta Câmara é a de que "ninguém é mais que ninguém".

Além da incorporação de Bono como presidente, o Congresso dos Deputados, fruto das eleições de 9 de março, apresenta outras novidades, como o rejuvenescimento da bancada popular com a nomeação como porta-voz da deputada Soraya Saénz de Santamaría, de 36 anos, considerada muito próxima a Rajoy.

Saénz de Santamaría substitui no cargo um veterano político e ex-dirigente regional do PP, Eduardo Zaplana.

O rejuvenescimento da bancada popular se completa com José Luis Ayllón, de 37 anos, Cayetana Álvarez de Toledo, 33 anos, e Fátima Báñez e Alfonso Alonso, ambos com apenas 40 anos.

O Partido Socialista (PSOE) também introduziu uma mudança significativa à frente de seu grupo parlamentar com a nomeação como como porta-voz de José Antonio Alonso, ministro da Defesa na última legislatura.

Segundo os analistas, com a nomeação de Alonso, ao qual Zapatero conhece desde criança, o líder socialista pretende propiciar uma legislatura menos tensa que a anterior que transcorreu entre uma enorme disputa política e um permanente enfrentamento com o Partido Popular.

A escolha de Saénz de Santamaría é interpretada também como um sinal de que a nona legislatura pode ser menos tensa que a anterior.

O confronto do PP com o Governo de Zapatero começou justamente depois das eleições gerais de março de 2004, que foram precedidas três dias antes pelos atentados jihadistas cometidos contra quatro trens de Madri que causaram 191 mortos e deixaram quase 2 mil feridos.

O confronto foi centrado nas divergências em torno das circunstâncias que cercaram esses atentados e a política a seguir com a organização terrorista ETA, que declarou uma trégua e depois a rompeu após um fracassado processo de dialogo com o Governo.

Uma vez constituídos hoje o Congresso e o Senado, se prevê que no início da próxima semana seja celebrada a sessão de posse de Zapatero como presidente do Governo para um segundo mandato.

Para ser investido na primeira rodada é necessária a maioria absoluta (176 votos).

Os socialistas contam com apenas 169 cadeiras, pelo que terão que negociar os sete votos que faltam, possivelmente com os nacionalistas catalães e bascos, terceira e quarta maior legenda no Parlamento, que hoje negaram seu apoio a Bono.

Uma vez investido presidente, Zapatero tomará posse do cargo perante o rei Juan Carlos, a quem depois comunicará a composição de seu Governo. EFE nac/db

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG