Novo ministro do Exterior israelense é interrogado por fraude

O novo ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, foi questionado pela polícia do país por pelo menos sete horas nesta quinta-feira, sobre acusações de corrupção.

BBC Brasil |


A polícia diz que o interrogatório foi em relação a uma investigação de "suborno, lavagem de dinheiro e quebra de confiança".

Lieberman, que assumiu a pasta no novo governo israelense na última terça-feira, já havia negado as acusações e disse que o caso é politicamente motivado.

Incompatibilidade

Correspondentes dizem que para aceitar ingressar na coalizão predominantemente de direita liderada por Binyiamin Netanyahu, Lieberman havia exigido uma das três principais pastas, Defesa, Relações Exteriores ou Economia.

Mas suas posições em relação aos palestinos, muito mais à direita do que as do próprio premiê, que é considerado linha-dura, o inviabilizaria para o Ministério da Defesa.

Nos últimos três anos, Lieberman já pediu a execução de parlamentares palestinos que tivessem ligações com o Hamas, disse que Gaza deveria ser "tratada como a Chechênia" e pediu que Israel combatesse o Hamas "como os Estados Unidos fizeram com os japoneses na 2ª Guerra Mundial".

Da mesma forma, as acusações de fraude o incompatibilizariam para a pasta das Finanças.

Polêmico

Nascido na União Soviética, Lieberman fundou seu partido de extrema direita, o Israel Beiteinu, em 1999. Nas eleições deste ano, conquistou 15 das 120 cadeiras do parlamento israelense com uma plataforma que muitos consideraram racista em relação aos árabes israelenses.

Com o slogan de "sem lealdade, não há cidadania", ele se diz a favor de deportar os 1,5 milhão de árabes israelenses para a Cisjordânia, em troca da terra ocupada por assentamentos judaicos construídos no território palestino.

Ao assumir o ministério das Relações Exteriores, na terça-feira, Lieberman causou controvérsia ao dizer que Israel não está comprometido com as decisões tomadas durante a conferência realizada na cidade americana de Annapolis, em novembro de 2007, quando israelenses e palestinos se comprometeram a ampliar as negociações para a criação de um Estado palestino independente.

"A conferência de Annapolis não tem validade", disse o ministro, em seu discurso de posse.

Lieberman se disse ainda contra a retirada das Colinas de Golã, anexadas da Síria em 1967 e exigida pelo país para a normalização das relações com Israel.

As declarações levaram a ministra das Relações Exteriores anterior, Tzipi Livni, cujo partido foi o mais votado nas eleições de fevereiro, mas que preferiu ficar na oposição do novo governo, a dizer que o novo governo de Israel "não é um parceiro sério para a paz no Oriente Médio".


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