Novo ministro da Defesa equatoriano promete transparência nas Forças Armadas

Quito, 9 abr (EFE).- O novo ministro equatoriano da Defesa, Javier Ponce, prometeu nesta quarta-feira transparência nas ações das Forças Armadas para garantir a segurança do Estado, ao tomar posse como sucessor de Wellington Sandoval.

EFE |

No ato realizado no Palácio Presidencial de Carondelet, em Quito, Ponce destacou a "necessidade de transparência na instituição militar" e de a direção da frente militar "voltar a ser civil".

O novo titular da Defesa, que hoje era secretário particular do presidente equatoriano, Rafael Correa, assegurou que assume o cargo "sem cartas na manga" e em um "instante de ruptura crucial" após a violação do território equatoriano por parte da Colômbia.

Até agora, o Governo do Equador não explicou o motivo da mudança na pasta da Defesa, mas versões dadas pela imprensa local indicam que está relacionado com falhas no processo de informação na crise diplomática com a Colômbia.

As tropas colombianas fizeram, em 1º de março deste ano, uma operação militar contra um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), na qual o porta-voz internacional da guerrilha, "Raúl Reyes", foi morto, o que provocou o rompimento de relações de Quito e Bogotá.

Essa situação, segundo Ponce, permitiu "reafirmar a unidade do país" e a necessidade de "questionar" seus sistemas de informação.

"São necessários sistemas de inteligência que sejam utilizados entre todos para garantir nossa soberania e democracia, nos quais as Forças Armadas e a Polícia estejam amparados pelo poder civil", apontou.

Essas duas instituições, disse, devem levar em conta que "são os cidadãos os verdadeiros determinantes e fiadores da democracia. Não encomendamos esse dever e direito a nenhuma instituição em particular e qualquer interpretação nesse sentido é inaceitável".

Ponce, o quarto titular da Defesa - após Guadalupe Larriva, Lorena Escudero e Sandoval -, no Governo de Correa, indicou que a atual situação faz com que ocorram mudanças na cúpula militar e policial, embora não tenha especificado quais.

No entanto, após a posse do novo ministro, o chefe do Comando Conjunto das Forças Armadas do Equador, general Héctor Camacho, anunciou que colocou seu cargo à disposição de Correa, da mesma forma que o comandante do Exército, Guillermo Vásconez.

O ministro do Interior, Fernando Bustamante, porém, desmentiu a destituição do comandante-geral da Polícia, Bolívar Cisneros, como informou a imprensa local, que inclusive chegou a anunciar Jaime Hurtado, até agora inspetor da Polícia Nacional, como seu substituto.

Durante seu discurso, Ponce também se referiu à recente denúncia de Correa de que a CIA (agência central de inteligência americana) está infiltrada nas tarefas de inteligência das Forças Armadas.

Segundo o novo ministro, o Equador não rejeita a cooperação internacional, e destacou que através dela podem "atuar redes de inteligência alheias a nossos interesses e prejudiciais à nossa soberania".

A denúncia sobre a interferência da CIA "pode ser uma oportunidade para continuar ajustando a cooperação internacional a objetivos nacionais", segundo Ponce.

Além disso, o novo ministro da Defesa do Equador disse que pode ser uma oportunidade para "fortalecer as formas de cooperação entre os países do sul", a fim de contar em breve com um "sistema de defesa regional do sul".

Ponce esclareceu que não se trata de um cenário de "caça às bruxas", mas de "um saudável processo crítico e de exercício de transparência", e por isso pediu às Forças Armadas uma "revisão generosa de suas estruturas e práticas".

Sem dar outros detalhes, anunciou a constituição de uma comissão de civis e militares para investigar todos estes aspectos. EFE sm/mac/db

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