Novo método de execução testado em Ohio provoca debate nos Estados Unidos

O Estado de Ohio, nos EUA, utilizou pela segunda vez nesta quinta-feira (7) um novo método de execução nos prisioneiros condenados à morte. O coquetel de três substâncias químicas tradicionalmente usado foi substituído pela injeção letal de apenas uma droga: o anestésico tiopental sódico, também conhecido como pentotal de sódio.

iG São Paulo |

Atualmente, um processo judicial tenta barrar o uso do coquetel, sob o argumento de que causa dor extrema. Por isso, o fato de as duas execuções realizadas em Ohio terem sido consideradas bem-sucedidas esquentou o debate sobre se o novo método deve ser adotado por outros Estados americanos.

A primeira execução com o tiopental sódico ocorreu em 8 de dezembro de 2008. Condenado pelo assassinato de uma mulher em 1991, Kenneth Biros, de 51 anos, foi declarado morto nove minutos depois de receber a injeção em uma prisão de Lucasville, no sul de Ohio.

Segundo a porta-voz do centro de detenção, Julie Walburn, o procedimento foi administrado sem problemas, embora os executores tenham feito nove tentativas antes de encontrar uma veia na qual injetar a droga. De acordo com testemunhas, as palavras finais de Biros foram desculpem do fundo do meu coração. Ele piscou algumas vezes e, em seguida, já parecia morto.

AP
Vernon Smith, em foto sem data
Vernon Smith, em foto sem data
Nesta quinta-feira (7), o novo método foi repetido em Vernon Smith, de 37 anos, que morreu oito minutos após receber a injeção letal, também em Lucasville. Smith foi condenado pela morte do imigrante saudita Sohail Darwish, durante uma tentativa de assalto em 1993.

Após ser preso, Smith se converteu ao islamismo e mudou seu nome para Abdullah Sharif Kaazim Mahdi. Antes de ser executado, ele repetiu quatro vezes em árabe a prece Não há nenhum Deus além de Deus e Maomé é seu profeta. Segundo testemunhas, após a injeção, ele pareceu bocejar e perder a consciência, além de seu abdome e seu pescoço terem tremido levemente.

Inicialmente, especialistas previram que a injeção de uma só substância fosse retardar o processo de execução. Smith e Birôs, porém, morreram no mesmo espaço de tempo registrado nos prisioneiros que recebem o coquetel.

Segundo o diretor-associado da Clínica sobre Pena de Morte da Universidade de Berkeley, Ty Alper, no coquetel a primeira droga administrada faz o preso dormir, a segunda o imobiliza e a terceira paralisa seu coração. Agora Ohio mostrou que não é preciso imobilizar os condenados antes de executá-los, disse Alper, lembrando que outro método proposto por Ohio ¿ a injeção de duas substâncias químicas diretamente nos músculos ¿ ainda não foi testado.

Para Richard Dieter, diretor-executivo do Centro de Informação sobre a Pena de Morte, organização contrária à execução de prisioneiros, o método testado em Ohio pode ser a aposta do futuro, pois parece ser mais simples, quase tão fácil e potencialmente menos doloroso que o coquetel de três substâncias. Ele acredita, porém, que os outros Estados americanos vão esperar o procedimento ser debatido nos tribunais antes de adotá-lo. Estamos falando de algo experimental, explicou, lembrando que apenas duas execuções foram feitas.

Já Deborah Denno, professora de Direito da Universidade de Fordham, em Nova York, pondera que Ohio ainda precisa resolver vários problemas relacionados à pena de morte, como a dificuldade de administrar a injeção letal nas veias dos prisioneiros. Seria condenável classificar de sucesso algo que apenas momentaneamente parece não ter enfrentado problemas, afirmou. Esse procedimento precisa ser feito sem dificuldades. Não podemos ficar cruzando nossos dedos cada vez que uma execução for feita.

A execução de Biros foi uma das três primeiras deste ano nos Estados Unidos, todas realizadas na quinta-feira. Os outros dois homens, porém, receberam o coquetel de três substâncias.

Em Huntsville, no Texas, foi executado Kenneth Mosley, de 51 anos, condenado pelo assassinato de um policial durante um assalto a banco em 1991. Em Louisiana, Gerald Bordelon, de 47 anos, foi morto por estuprar e assassinar sua enteada de 12 anos em 2002.

Com esses casos, subiu para 1.192 o número de execuções feitas nos EUA desde que a Suprema Corte restabeleceu sua legalidade, em 1979. Segundo relatório da Anistia Internacional , atualmente a pena de morte está em vigor em 58 países. Em 2008, foram realizadas 2.390 execuções em todo mundo, 93% delas na China, EUA, China, Irã, Arábia Saudita e Paquistão.

Com AP, EFE e Reuters

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